Assédio eleitoral: trabalhador não pode ser pressionado a votar e deve denunciar ameaças no ambiente de trabalho

Foto: TRE.

Pressão, ameaça, constrangimento ou promessa de vantagem para influenciar o voto são práticas ilegais. CTB orienta trabalhadores e trabalhadoras a conhecer seus direitos e denunciar casos de assédio eleitoral

Com a aproximação das eleições de 2026, trabalhadores e trabalhadoras devem ficar atentos a uma prática que ameaça não apenas a liberdade de escolha, mas também o direito ao voto livre e secreto: o assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

Nenhum empregador, chefe ou superior hierárquico pode pressionar, ameaçar ou constranger um trabalhador para que vote, deixe de votar ou apoie determinado candidato ou candidatura. O voto é um direito individual e secreto, e a escolha política de cada cidadão deve ser respeitada.

Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), combater o assédio eleitoral também significa defender a democracia, a liberdade de consciência e a autonomia da classe trabalhadora diante de relações de poder que podem transformar o emprego em instrumento de pressão política.

Dados divulgados pela Justiça do Trabalho apontam que 662 processos relacionados a assédio eleitoral foram ajuizados no país entre maio de 2023 e dezembro de 2025. Os casos envolvem trabalhadores que buscaram reparação após sofrerem diferentes formas de pressão e constrangimento.

O que é assédio eleitoral?

O assédio eleitoral acontece quando o trabalhador é pressionado, ameaçado, constrangido ou recebe promessa de vantagem para votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato ou candidatura.

A prática pode assumir diferentes formas. Entre os exemplos estão:

  • ameaça de demissão ou prejuízo profissional;
  • mudança ou ameaça de mudança nas condições de trabalho;
  • perseguição ou constrangimento por posicionamento político;
  • exigência de participação em atos ou manifestações políticas;
  • utilização do ambiente ou dos instrumentos de trabalho para pressionar trabalhadores;
  • pedido para que o trabalhador informe ou comprove seu voto;
  • promessa de aumento salarial, benefício ou outra vantagem em troca de apoio eleitoral.

A pressão pode ocorrer de forma direta ou indireta. Por isso, trabalhadores devem estar atentos também a situações em que o empregador ou superior hierárquico tente utilizar a relação de trabalho para interferir na liberdade de escolha do empregado.

Voto é secreto e ninguém pode exigir comprovação

O trabalhador não é obrigado a revelar em quem votou. O sigilo do voto é uma garantia constitucional e impede que empregadores ou qualquer outra pessoa exijam comprovação da escolha feita nas urnas.

Isso significa que pedidos para apresentar foto da urna, informar o candidato escolhido ou apresentar qualquer outra forma de prova do voto podem representar uma tentativa de violar a liberdade eleitoral.

A relação de emprego também não pode ser utilizada como instrumento de coerção política. O trabalhador tem direito de exercer sua cidadania sem sofrer ameaças, perseguições ou prejuízos por sua escolha eleitoral.

Presenciou ou sofreu assédio eleitoral? Denuncie

Quem sofrer ou testemunhar uma situação de assédio eleitoral pode procurar os canais oficiais de denúncia e comunicar a ocorrência às autoridades competentes.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) disponibiliza um formulário para atendimento e recebimento de denúncias relacionadas a violações no ambiente de trabalho.

Clique aqui para denunciar e defender seus direitos.

A identidade do trabalhador denunciante é mantida em sigilo, proporcionando maior segurança para quem busca ajuda e deseja comunicar uma possível irregularidade.

A democracia também se defende no local de trabalho

A CTB reforça que nenhum trabalhador deve ter sua liberdade de escolha condicionada à manutenção do emprego ou à relação com seus superiores. O voto pertence ao trabalhador, não ao patrão.

Neste período eleitoral, é fundamental conhecer os direitos, ficar atento às formas de pressão e não aceitar que o poder econômico ou a relação de trabalho sejam utilizados para interferir na decisão de cada cidadão.

Se houver pressão, ameaça ou promessa de vantagem em troca de voto, denuncie. O direito de escolher livremente também é um direito da classe trabalhadora.

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