Hora da virada: classe trabalhadora entra em campo pela reeleição de Lula

Por Rene Vicente, vice-presdiente nacional da CTB e presidente da CTB-SP 

O primeiro turno ficou para trás. Agora começa outra eleição. E é com essa compreensão que precisamos entrar no segundo turno: reorganizar forças, ampliar o diálogo e conversar principalmente com quem ainda está distante do debate político.

A eleição mostrou um Brasil dividido, mas também revelou um enorme contingente de pessoas que não compareceu às urnas. Foram mais de 33 milhões de eleitores ausentes no primeiro turno. É nesse universo, e também entre aqueles que ainda têm dúvidas sobre seu voto, que existe um importante espaço para diálogo nas próximas semanas.

Não basta falar apenas com quem já pensa como nós.

É preciso chegar aos locais de trabalho, bairros, comunidades e em todas as redes sociais. Conversar com familiares, amigos e companheiros. Ouvir as preocupações das pessoas e mostrar o que estará em jogo no segundo turno: emprego, salário, aposentadoria, políticas públicas, direitos sociais, democracia e soberania nacional.

A classe trabalhadora terá papel fundamental nesse processo.

Quem vive do próprio trabalho conhece o peso das decisões tomadas em Brasília. Sabe a diferença que fazem a valorização do salário mínimo, a geração de empregos, os investimentos públicos e programas como Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, Farmácia Popular e Pé-de-Meia.

É nesse terreno que o presidente Lula precisa dialogar com o país: na vida concreta das pessoas.

Também precisamos compreender a dimensão da fé na sociedade brasileira. Milhões de trabalhadores são católicos, evangélicos, espíritas ou seguem religiões de matriz africana. Outros não professam religião alguma. Todos fazem parte do mesmo país e merecem respeito.

A fé não deve ser motivo para separar trabalhadores.

Quem frequenta uma igreja no domingo também acorda cedo para trabalhar na segunda-feira. Também enfrenta transporte lotado, paga aluguel, compra comida, precisa de escola para os filhos e atendimento no SUS.

Fé e consciência de classe podem caminhar juntas.

O que não podemos permitir é que sentimentos religiosos sejam utilizados para espalhar medo, intolerância ou transformar diferenças políticas em uma guerra entre brasileiros.

O segundo turno abre uma nova oportunidade.

Para quem defende a continuidade do governo Lula, não é momento de desânimo. É hora de compreender os recados das urnas, corrigir erros, reconstruir pontes e ampliar a mobilização popular. A vitória que buscamos não virá apenas das redes sociais ou dos palanques. Ela dependerá de gente conversando com gente.

Precisamos disputar cada voto democraticamente e incentivar quem se absteve no primeiro turno a participar. Mais de 33 milhões de ausentes representam milhões de histórias, opiniões e razões diferentes. Não cabe tratá-los como um bloco político. Cabe mostrar a importância de cada pessoa exercer seu direito de escolha.

E nós, do movimento sindical, temos uma responsabilidade ainda maior.

Defender os interesses da classe trabalhadora significa participar do debate sobre os rumos do Brasil, combater a desinformação e defender a democracia diante de qualquer projeto autoritário que ameace direitos e conquistas sociais.

Agora é outra eleição. É hora da virada!

Vamos para o segundo turno com confiança na vitória de Lula, mas sabendo que eleição se ganha com voto, participação e mobilização.

Cada conversa importa. Cada voto importa. Cada trabalhador e trabalhadora pode fazer diferença.

A hora da virada chegou e os trabalhadores terão papel decisivo no segundo turno!

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