Adilson Araújo, presidente da CTB
A aprovação em dois turnos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à desumana escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial constitui uma das principais conquistas da classe trabalhadora brasileira ao longo de sua história.
Com essa vitória exemplar, o terrorismo econômico difundido pela extrema-direita e por federações patronais foi fragorosamente derrotado e restará desmoralizado pela história.
Como bem lembrou o senador Omar Aziz, as classes dominantes — sempre temendo perder seus privilégios — historicamente se posicionaram invariavelmente contra os avanços sociais do povo brasileiro. Por ocasião da abolição da escravatura, alegavam que a economia afundaria e o caos se instalaria no país.
Reagiram com o mesmo alarmismo rancoroso quando da conquista do 13º salário e, mais tarde, com a redução da jornada na Constituição de 1988. A história se repete, mas a força do povo novamente se impõe.
A pressão popular virou o voto da extrema-direita
A intensa pressão popular, somada à proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, virou votos decisivos no Congresso Nacional. Setores que antes boicotavam o projeto mês após mês, tentando de todas as formas impedir a votação no Senado, viram-se encurralados pelas manifestações massivas do nosso povo a favor da reeleição de Lula e pelo fim da escala 6×1.
Os senadores da extrema-direita, conscientes de que a PEC seria aprovada com ou sem o apoio deles, recuaram na última hora e decidiram votar a favor. No entanto, a hipocrisia ficou registrada: em seus discursos na tribuna, reiteraram o velho terrorismo do patronato conservador, alardeando a ideia falaciosa de que o fim da escala 6×1 causará queda na produção, inflação e desemprego em massa.
O papel fundamental de Lula e as duas caras do bolsonarismo
Essa conquista histórica traz a marca digital do governo do presidente Lula, cujo papel foi fundamental para garantir a articulação política e a sustentação institucional necessárias para fazer o projeto avançar. Do outro lado, as máscaras continuam caindo.
Ficou evidente a postura de “duas caras” do senador Flávio Bolsonaro que, enquanto recuava no voto, prometia ao empresariado, durante um almoço em São Paulo, reverter essa conquista trabalhista caso seu grupo político vença as eleições.
Dia da Virada
Tudo isso deixa uma lição clara para o conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras: o fim da desumana escala 6×1 e a garantia do tempo de trabalho reduzido com salário integral só serão plenamente consolidados com a reeleição de Lula e a derrota da extrema-direita bolsonarista nas urnas.
A vitória legislativa foi expressiva e fundamental, mas a batalha final se dará no voto. Vamos à luta! O dia 25 de outubro ficará consagrado na história do nosso país como o grande Dia da Virada.


