Canal administrado por André Janones reúne quase 9 milhões de seguidores e pode sofrer nova restrição; deputado denuncia tentativa de censura às mobilizações digitais em apoio ao presidente Lula.
A mobilização contra a censura ao canal de WhatsApp ‘Exército do Lula’ continua nesta sexta-feira (23), dia do debate presidencial na TV Globo. O espaço, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), reúne quase 9 milhões de seguidores e está sob risco de novas restrições por determinação da Justiça Eleitoral.
Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspeitam que o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, possa determinar a retirada do canal do ar durante o debate. Segundo reportagem da CartaCapital, a preocupação está relacionada à conduta do ministro nas decisões envolvendo a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A possibilidade de uma nova restrição reforça o alerta contra a censura prévia e em defesa da liberdade de expressão e da participação política nas plataformas digitais.
Janones orienta seguidores diante do risco de retirada do canal
Na manhã desta sexta-feira (23), André Janones orientou os integrantes do canal sobre alternativas para manter o acesso às mobilizações em apoio a Lula caso o ‘Exército do Lula’ seja retirado do ar.
Entre as medidas, está seguir o canal oficial do presidente no WhatsApp. Após a orientação, o número de seguidores do espaço oficial de Lula passou de 2,2 milhões para 2,6 milhões em cerca de meia hora. Outra alternativa mencionada pelo deputado foi acompanhar uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, prevista para as 23h.
A mobilização busca garantir que as informações e as articulações políticas continuem circulando mesmo diante da possibilidade de novas medidas judiciais.
Histórico de decisões aumenta preocupação
O canal já enfrentou restrições anteriores. Em 11 de outubro, Nunes Marques atendeu a um pedido de urgência apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), sob alegação de disseminação de desinformação. Conforme a reportagem, a área técnica do TSE não havia identificado as supostas notícias falsas apontadas no pedido.
Posteriormente, o ministro condicionou a liberação do canal ao registro oficial pela campanha de Lula, providência que foi adotada e permitiu o restabelecimento do espaço no dia seguinte.
Na quinta-feira (22), Nunes Marques determinou que a Meta apresentasse ao TSE, em até 24 horas, um relatório técnico sobre o ‘Exército do Lula’. O prazo termina às 19h desta sexta-feira.
Também na quinta-feira, Nunes Marques e o ministro André Mendonça elaboraram uma minuta de resolução que previa proibir canais com mais de 200 mil seguidores de operar nas 48 horas anteriores à eleição. A proposta não avançou diante das críticas internas e da falta de maioria para sua aprovação.
Defesa da liberdade de expressão
A possibilidade de retirar o canal do ar durante o debate levanta questionamentos sobre a proporcionalidade das medidas judiciais. Um interlocutor ouvido pela reportagem sob reserva avaliou que eventuais publicações irregulares não justificariam a derrubada de todo o canal, uma vez que a exclusão de conteúdos específicos poderia resolver o problema.
Diante desse cenário, a campanha de Lula prepara petições para contestar eventuais medidas que considera censura prévia.
A defesa da liberdade de expressão e do direito à participação política passa também pela garantia de que os canais digitais não sejam alvo de restrições desproporcionais. Neste dia de debate presidencial, a mobilização dos seguidores busca preservar os espaços de comunicação e organização política em apoio ao presidente.


