A polarização entre a esquerda e a extrema direita continuou a dar o tom das contradições e das lutas políticas ao longo deste ano no Brasil, assim como em grande parte do mundo.
O embate em torno da punição ou da impunidade dos líderes golpistas, encabeçados por Jair Bolsonaro, esteve no centro dos acontecimentos. Conforme assinala a resolução política da CTB, aprovada em 12 de dezembro, “no Brasil, o ano de 2025 foi coroado pela condenação e prisão de Jair Bolsonaro e de militares de alta patente pela empreitada golpista que culminou na invasão e na vandalização das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. O resultado do julgamento, inédito em nossa história, fortalece a democracia e a soberania nacional”.
O episódio evidenciou o entrelaçamento das lutas contra o imperialismo, em defesa da soberania nacional, e contra a extrema direita e o neofascismo, fundamentais para a preservação da democracia.
Quinta coluna
O Clã Bolsonaro apelou abertamente à intervenção dos Estados Unidos, a maior potência imperialista do planeta, na tentativa de impedir o julgamento e a condenação de seu patrono. O deputado Eduardo Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos, onde liderou uma conspiração contra os interesses nacionais e conseguiu que o governo Trump impusesse um tarifaço injusto sobre exportações brasileiras, além de sancionar ministros do Supremo Tribunal Federal pela condenação de seu pai.
Embora muitos temessem efeitos devastadores sobre a economia brasileira, o tarifaço acabou se revelando um tiro no pé para a própria Casa Branca, ao pressionar a inflação dos alimentos e contribuir para a queda da popularidade do líder republicano.
Em contrapartida, os preços dos alimentos exportados para os Estados Unidos caíram no Brasil em função do aumento da oferta interna. Diante desse cenário, Trump decidiu recuar tanto nas tarifas quanto nas sanções. O desfecho foi amplamente interpretado como uma desmoralização da extrema direita brasileira, cujo caráter antinacional, até então mascarado por um falso patriotismo, veio definitivamente à tona.
A força da extrema direita
Os fatos confirmam o acerto da resolução política aprovada no 6º Congresso da CTB, realizado em agosto deste ano, que, sem desprezar os impactos negativos do tarifaço, destacou a necessidade de relativizar o alcance dos prejuízos. O documento ressalta que “o mercado estadunidense já não possui a importância que teve décadas atrás para o Brasil. Desde 2009, os Estados Unidos perderam para a China a posição de principal parceiro comercial do país. Atualmente, ocupam a terceira posição, atrás também da União Europeia. Em 2024, as exportações brasileiras para os Estados Unidos representaram cerca de 12% do total, metade do percentual registrado em 2021 (24%). A relevância da China é significativamente maior para a economia nacional, tendo o gigante asiático adquirido 28% das exportações brasileiras no ano passado”.
O governo Lula reagiu com altivez às sanções e saiu vitorioso, enquanto o Clã Bolsonaro perdeu de vez a máscara do falso patriotismo e revelou sua verdadeira face: a face sinistra da quinta coluna do imperialismo.
Apesar da prisão de Jair Bolsonaro, a força da extrema direita não deve ser subestimada. Sua influência no Parlamento ficou evidente no final do ano com a aprovação, na Câmara dos Deputados e no Senado, do projeto de dosimetria, que reduz as penas dos golpistas, beneficia diretamente o ex-presidente e estimula a impunidade.


