Há 191 anos, Salvador foi palco de uma das mais importantes insurreições de pessoas negras escravizadas da história do Brasil: a Revolta dos Malês. Organizado majoritariamente por africanos muçulmanos, o levante ocorrido em janeiro de 1835 marcou profundamente a luta contra a escravidão e o racismo estrutural no país.
A Revolta dos Malês foi uma ação planejada, articulada e movida por objetivos políticos e religiosos claros. Os revoltosos buscavam o fim da opressão, a liberdade e o direito de manter suas práticas culturais e religiosas, duramente reprimidas pelo sistema escravista. Mesmo sendo violentamente sufocada pelas forças do Estado imperial, a insurreição deixou um legado duradouro de resistência e organização coletiva.
Para o secretário nacional de Combate ao Racismo da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Jerônimo Silva Jr., o episódio desmonta uma narrativa historicamente construída para minimizar a luta dos povos negros no Brasil.
“As constantes revoltas, ao longo do período escravista, demonstram que a resistência foi constante e organizada, desconstruindo a imagem de passividade dos escravizados”, afirmou.
A Revolta dos Malês integra uma longa lista de levantes protagonizados por pessoas negras que se recusaram a aceitar a violência, a exploração e a desumanização impostas pelo regime escravista. Quilombos, fugas, sabotagens e rebeliões urbanas foram estratégias fundamentais de enfrentamento a um sistema baseado no racismo e na exploração do trabalho.
Ao recordar os 191 anos da Revolta dos Malês, a CTB reforça a importância de manter viva a memória dessas lutas como instrumento de conscientização e enfrentamento ao racismo ainda presente na sociedade brasileira. Para a central sindical, compreender o passado é essencial para fortalecer as batalhas do presente, em defesa da igualdade racial, dos direitos trabalhistas e da justiça social.
A história da Revolta dos Malês segue atual ao evidenciar que a população negra sempre esteve na linha de frente das transformações sociais do país, organizando-se e resistindo, mesmo diante das mais duras formas de repressão.


