CTB participa de ato unificado contra juros altos nesta terça (27)
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou, nesta terça-feira (27), de um ato unificado das centrais sindicais contra a política de juros altos no país. A mobilização reuniu dirigentes sindicais e trabalhadores em defesa da redução imediata da taxa básica de juros, do desenvolvimento nacional, da valorização do trabalho e da distribuição de renda.
Durante o ato, o presidente da CTB-SP, Rene Vicente, destacou que a luta contra os juros elevados é central para recolocar o Brasil no caminho do crescimento com justiça social. “As centrais sindicais aqui reunidas estão, mais uma vez, na luta pela redução da taxa de juros, para que possamos colocar o país no rumo que queremos: o rumo do desenvolvimento, com valorização do trabalho e distribuição de renda, além de uma reforma tributária justa, que tribute as grandes fortunas”, afirmou.
Rene também ressaltou uma conquista recente do movimento sindical: a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores e trabalhadoras que recebem até cinco mil reais. Segundo ele, a medida, que começa a valer a partir de fevereiro, é resultado da pressão das centrais sindicais e de um governo comprometido com a classe trabalhadora. “Esses trabalhadores já vão sentir no bolso a não cobrança do Imposto de Renda. Essa é uma vitória das centrais sindicais e de um governo progressista que olha para a classe trabalhadora”, disse.
No entanto, o dirigente alertou que a política de juros altos continua beneficiando apenas uma parcela ínfima da população. “É necessário denunciar essa política de juros altos, que beneficia apenas 0,01% da população brasileira — cerca de cinco mil famílias de especuladores financeiros. Isso não pode continuar”, criticou.

Rene Vicente também questionou a chamada autonomia do Banco Central. Para ele, a instituição precisa estar a serviço do desenvolvimento nacional. “O Banco Central precisa estar a serviço do país, da nação e do desenvolvimento, e não de uma meia dúzia de especuladores que vivem da especulação financeira enquanto o povo é empurrado para a miséria”, afirmou.
Segundo o dirigente, a política atual aprofunda a concentração de riqueza no Brasil. “Essa política faz com que o Brasil concentre cerca de 57% da sua riqueza nas mãos de um pequeno grupo de especuladores financeiros. Por isso estamos aqui, lutando pela redução imediata da taxa de juros, para que o país volte a crescer e coloque dinheiro no bolso dos trabalhadores e trabalhadoras”, declarou, encerrando sua fala com palavras de ordem em defesa da unidade da classe trabalhadora.
O vice-presidente da CTB, Ubiraci Dantas, o Bira, também fez duras críticas à política econômica e reforçou o caráter internacionalista da entidade. Ele iniciou sua intervenção prestando solidariedade ao povo venezuelano e cubano. “Quero prestar a solidariedade da CTB ao povo venezuelano, que sofreu um golpe muito duro, e também ao povo cubano, que há mais de 60 anos resiste a um bloqueio insano. Nossa solidariedade se estende a toda a América Latina”, afirmou.
Ao abordar a situação econômica do Brasil, Bira criticou a manutenção de uma taxa de juros em torno de 15%, que, segundo ele, retirou quase um trilhão de reais dos cofres públicos no último ano. “Isso é o motivo pelo qual falta dinheiro para fortalecer o SUS, para moradia, para a indústria nacional. Sem investimento, o país não vai a lugar nenhum”, alertou. 
O dirigente também atacou o teto de gastos, afirmando que o mecanismo impede o investimento público e trava o desenvolvimento nacional. “Esse modelo limita os investimentos para garantir dinheiro aos bancos. Precisamos acabar com esse teto de gastos que impede o Brasil de se desenvolver”, defendeu.
Bira ainda denunciou o caso envolvendo o Banco Master, classificando a situação como um ataque ao erário público. “R$ 40 bilhões foram retirados e querem jogar essa conta nas costas do povo brasileiro. Isso é uma safadeza sem cabimento. É preciso responsabilizar o Banco Master e todos os envolvidos que causaram prejuízos ao conjunto da nação”, afirmou.
Ao final, o vice-presidente da CTB convocou a continuidade da mobilização sindical. “Precisamos reduzir imediatamente essa taxa de juros absurda para que o país volte a crescer. Este é um momento decisivo de defesa da soberania do Brasil e da América Latina”, concluiu.
A CTB reafirma seu compromisso com a luta por um projeto nacional de desenvolvimento, com geração de empregos, valorização do trabalho, justiça tributária e soberania econômica, e seguirá mobilizada junto às demais centrais sindicais pela redução dos juros e em defesa dos direitos da classe trabalhadora.








