A necessidade de reduzir as taxas de juros

Por Adilson Araújo, presidente da CTB

Estimativas do IBGE indicam que a inflação oficial está em queda e deve fechar o mês de janeiro em apenas 0,2%, abaixo do índice apurado em dezembro, de 0,25%, enquanto a expectativa no mercado é de um crescimento do PIB neste ano de apenas 1,8%, significativamente abaixo dos cerca de 2,25% projetados para o ano de 2025.
O comportamento civilizado dos preços das mercadorias e a desaceleração das atividades econômicas revelam a necessidade de reduzir as taxas de juros no Brasil.

Anseio nacional
Trata-se de um anseio da maioria da sociedade e uma demanda associada ao desenvolvimento nacional que cobra urgência e não deve ser protelada.
A dívida pública se transformou no principal meio de valorização do capital operado por banqueiros, agiotas e rentistas em nosso país.
O pagamento de juros a favor desta casta de parasitas consome, agora, mais do que a metade do orçamento público e configura uma brutal transferência de renda do conjunto da sociedade para os rentistas.
Quem paga a conta no final do jogo é o povo brasileiro, uma vez que isso é feito sacrificando investimentos públicos e o desenvolvimento nacional.
Um paraíso para agiotas estrangeiros e nacionais, com a Selic a 15% ao ano, o Brasil pratica atualmente a segunda taxa real de juros mais alta do mundo.

Valorização de capital fictício
Some-se a isso as taxas absurdas cobradas pelos bancos a empresas e consumidores a título de spread. Os juros do cartão de crédito, especialmente no rotativo, superam 450% ao ano, configurando uma agiotagem institucionalizada.
A acumulação e expansão do chamado capital fictício por via dos juros em nada contribui para o desenvolvimento nacional e, pelo contrário, condena a economia brasileiro aos chamados voos de galinha (com ciclos de baixo crescimento ou estagnação) ao enfraquecer o mercado interno, restringindo tanto o consumo quanto os investimentos.
Com a capitalização parcial dos juros o estoque da dívida cresce feito bola de neve, a despeito dos cortes recorrentes nas despesas públicas.

Dívida e PIB
O Brasil finalizou 2025 com a dívida pública atingindo o recorde histórico de R$ 8,5 trilhões, o equivalente a 78,3% do PIB, ou seja, de todo o valor adicionado à economia nacional ao longo de um ano.
As estimativas indicam que, alavancadas pela Selic, as despesas líquidas com juros no Brasil em 2025 devem superar R$ 1 trilhão, o que representa cerca de 8% do PIB no fechamento do ano.
Dados do primeiro semestre de 2025 mostraram que juros e amortizações da dívida comprometeram nada menos que 53,4% do orçamento da União.
Através da dívida e seu pagamento o Estado realiza uma brutal transferência da renda do conjunto da sociedade, que recolhe com os impostos e taxas, para banqueiros e rentistas em geral, nacionais e estrangeiros.
É preciso reverter esta lógica perversa e estancar a sangria. É hora de mudar os rumos da política monetária, reduzir as taxas de juros, fortalecer o mercado interno, aumentar o consumo popular e a taxa de crescimento do PIB.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

CTB
Visão geral de privacidade

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência enquanto navega pelo site. Destes, os cookies que são categorizados como necessários são armazenados no seu navegador, pois são essenciais para o funcionamento das funcionalidades básicas do site. Também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa este site. Esses cookies serão armazenados em seu navegador apenas com o seu consentimento. Você também tem a opção de cancelar esses cookies. Porém, a desativação de alguns desses cookies pode afetar sua experiência de navegação.