Greve geral na Argentina expõe fracasso social da agenda de Milei e fortalece unidade da classe trabalhadora latino-americana

Manifestantes se protegem da ação da tropa de choque argentina, colocando-se atrás de um cartaz com os dizeres 'Reforma trabalhista mata minha liberdade' — Foto: Luis ROBAYO / AFP

A greve geral convocada pelas centrais sindicais da Argentina marca um novo capítulo de enfrentamento às políticas implementadas pelo governo de Javier Milei. A paralisação ocorre após a aprovação da reforma trabalhista que flexibiliza direitos históricos, amplia a jornada para até 12 horas e altera regras de indenização e negociação coletiva.

Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a mobilização argentina expressa a insatisfação crescente da classe trabalhadora diante de medidas que, segundo a entidade, aprofundam a precarização e transferem o peso da crise econômica para os trabalhadores.

“A CTB manifesta sua total solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras da Argentina e às centrais sindicais argentinas diante dos graves retrocessos contidos na reforma trabalhista aprovada pelo governo Milei. A redução de indenizações, a ampliação da jornada para até 12 horas e o enfraquecimento da negociação coletiva representam um ataque direto aos direitos históricos da classe trabalhadora. As centrais sindicais do Brasil também se somaram a essa manifestação de apoio, reafirmando que a defesa do trabalho digno e da justiça social não tem fronteiras. Seguiremos unidos na luta contra qualquer tentativa de precarização e de transferência de renda do trabalho para o capital”, afirmou Ronaldo Leite, presidente interino da CTB e secretário-geral.

A reforma trabalhista integra um conjunto mais amplo de medidas de ajuste fiscal e desregulamentação econômica adotadas pelo governo argentino. Sob o discurso de “modernização” e “equilíbrio fiscal”, o Executivo promove alterações estruturais que reduzem o papel do Estado na mediação das relações de trabalho e ampliam a margem para negociações individuais, em detrimento da força coletiva dos sindicatos.

“A paralisação nacional expressa a profunda insatisfação dos trabalhadores e trabalhadoras argentinos com a reforma trabalhista e o conjunto de políticas de ajuste fiscal que vêm sendo impostas sem diálogo social amplo e efetivo. Sob o argumento de ‘modernização’ e ‘equilíbrio fiscal’, o governo Milei tem promovido uma agenda que transfere o peso da crise econômica para os ombros da classe trabalhadora, ao mesmo tempo em que flexibiliza direitos históricos e reduz o papel do Estado na proteção social. A CTB reafirma a importância da integração e da solidariedade entre os trabalhadores latino-americanos diante de ofensivas que ameaçam conquistas históricas. A mobilização na Argentina demonstra que a defesa dos direitos sociais permanece como elemento central na luta por desenvolvimento com justiça social e soberania”, declarou Carlos Augusto Muller, secretário de Relações Internacionais da Central.

O cenário social argentino tem sido marcado por inflação elevada, perda de poder de compra e crescimento da informalidade. Sindicalistas alertam que a combinação entre cortes de políticas públicas e flexibilização trabalhista pode agravar desigualdades e ampliar a instabilidade social.

“O governo de extrema-direita da Argentina, Javier Milei, impõe uma política econômica que ataca os direitos trabalhistas e sindicais naquele país. A greve geral convocada pelas centrais sindicais foi uma resposta necessária e legítima para contestar a derrocada da legislação laboral e para preservar a liberdade e autonomia sindical”, afirmou Nivaldo Santana, secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB.

A mobilização argentina repercute em toda a América Latina e reforça o debate sobre os limites entre flexibilização econômica e preservação de direitos sociais. Para a CTB, o momento exige unidade e articulação internacional diante de políticas que, sob a justificativa de ajuste e modernização, promovem mudanças profundas nas bases da proteção trabalhista construída ao longo de décadas.

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