As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira na segunda (23) e terça-feira (24) deixaram um rastro de devastação e morte. Deslizamentos de terra, enchentes e alagamentos destruíram casas, comércios, pontes e ruas, além de comprometer a prestação de serviços em oito cidades da região. Os municípios decretaram estado de calamidade.
Juiz de Fora, uma das cidades mais atingidas pelo desastre, contabiliza 32 mortos e 31 desaparecidos, além de 3,5 mil desalojados e desabrigados. Foram 584 milímetros de chuvas acumuladas, o dobro do esperado para o mês de fevereiro.
Em Ubá, seis pessoas morreram e duas estão desaparecidas. Informações apontam que a cidade foi atingida por 170 milímetros de chuvas em apenas três horas. O Rio Ubá, que corta a cidade, atingiu 7,82 metros.
“É um dia triste para a Zona da Mata. Precisamos ajudar as pessoas e cobrar a resolução de problemas estruturais como moradia desordenada, falta de saneamento e falta de captação de águas pluviais”, afirmou Wadson Ribeiro, assessor da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) e natural de Juiz de Fora. Ele se deslocou para a cidade na manhã de terça-feira (24) para acompanhar os trabalhos de resgate e atendimento aos atingidos. “O momento é de juntar forças. Tirar a cidade dessa situação e lutar pela preservação da vida dessas pessoas.”
Ainda na terça, o governo federal anunciou um repasse de R$ 800 a cada pessoa desabrigada na região. O recurso será liberado às prefeituras dos municípios afetados para a compra de itens essenciais. O governo também vai antecipar os pagamentos do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para os atingidos.
Equipes de saúde com médicos, enfermeiros e psicólogos foram deslocadas pela Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), pelo Sistema Único de Assistência Social (Suas) e pelo Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde. A Defesa Civil Nacional também enviou técnicos do Grupo de Apoio a Desastres para auxiliar na reconstrução das cidades e no restabelecimento de serviços essenciais.
A CTB Minas convocou sindicatos e dirigentes no estado para se mobilizarem na arrecadação de itens essenciais e recursos financeiros para atender as famílias atingidas.
Para Valéria Morato, presidenta da entidade, mais que ambiental, o desastre é social e exige mobilização. “Sabemos que as pessoas mais afetadas nessas situações são as mais pobres e em situação de vulnerabilidade, é preciso de união para reconstruir o que foi perdido”, afirmou. “Evitar tragédias como essas passa pela construção de cidades mais justas, com acesso igualitário a moradia, saneamento e outros direitos para a população.”
Dados do Portal da Transparência do Governo de Minas Gerais mostram que Romeu Zema (Novo) reduziu em 96% a verba para ações de prevenção contra chuvas em Minas Gerais entre 2023 e 2025. O valor passou de R$ 135 milhões para menos de R$ 6 milhões em dois anos. “Os danos poderiam ter sido evitados ou pelo menos reduzidos se houvesse responsabilidade do governador com o povo. Mas é um governo de morte. A desigualdade é um projeto político de Zema.”
Vários pontos de coleta foram organizados para arrecadar doações. De acordo com Cristina Castro, dirigente da Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino) e moradora de Juiz de Fora, as prioridades são material de limpeza como vassoura e rodo, roupa de cama, pasta e escova de dente, roupa íntima nova e colchonetes. Segundo ela, alimentos e roupas têm chegado em grande quantidade.
Ela destaca que as ajudas são essenciais. “São muitos desabrigados. Ainda há previsão de chuvas e muitas casas estão interditadas pela Defesa Civil.”


