A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganham ainda mais respaldo com dados que reforçam a viabilidade econômica e social da medida. Estudo elaborado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta que a diminuição da jornada semanal de 44 para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil, além de elevar a produtividade em cerca de 4%.
O levantamento integra o “Dossiê 6×1”, produzido pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da universidade. A pesquisa simulou diferentes cenários a partir da redução da jornada, considerando ganhos de produtividade e mecanismos de adaptação interna dos setores produtivos. A conclusão é clara: o país está preparado para avançar na mudança.
Mais empregos e mais produtividade
Segundo o artigo “Considerações Sobre a Redução da Jornada de Trabalho: criação de postos de trabalho e aumento da produtividade dos trabalhadores e das trabalhadoras”, a redução da jornada não implica queda na produção ou na renda — ao contrário do que afirmam setores conservadores.
O estudo contesta modelos econômicos que assumem automaticamente que menos horas trabalhadas significam menos produção. De acordo com os pesquisadores, esses modelos ignoram os ajustes dinâmicos historicamente verificados no mercado de trabalho.
A própria experiência brasileira confirma essa avaliação. Com a Constituição de 1988, a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais. Na década seguinte, entre os anos 1990 e 2000, a produtividade do trabalho cresceu, em média, 6,5% ao ano. Para os autores, a melhora na qualidade de vida e no descanso contribuiu diretamente para o aumento do desempenho nas funções.
O dossiê aponta que, com trabalhadores mais descansados, há mais agilidade, precisão e menor incidência de erros, o que impacta positivamente a produtividade nacional.
Saúde e qualidade de vida
Outro artigo do dossiê, “Escala 6×1 e a saúde de trabalhadoras e trabalhadores”, destaca os impactos da redução da jornada na saúde física e mental da classe trabalhadora. A diminuição da carga horária reduz a exposição a ambientes insalubres, acidentes de trabalho e situações de desgaste extremo.
O descanso adequado está diretamente relacionado ao direito à saúde e ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Com mais tempo livre — e sem redução salarial — trabalhadores podem se dedicar à convivência familiar, formação, lazer e participação social, elementos fundamentais para uma vida digna.
Brasileiro trabalha muito
Os dados utilizados na pesquisa têm como base a Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que cerca de 21 milhões de brasileiros trabalham mais de 44 horas semanais, ultrapassando o limite previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Além disso:
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76,3% das pessoas ocupadas trabalham mais de 40 horas semanais;
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58,7% cumprem jornadas entre 40 e 44 horas;
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18% trabalham entre 45 e 49 horas por semana.
O cenário é agravado pela alta informalidade e pela ampliação do banco de horas após a reforma trabalhista de 2017, que permitiu a compensação de horas extras sem pagamento adicional imediato.
Os números reforçam que o argumento de que “o Brasil trabalha pouco” não encontra respaldo na realidade.
Proposta pode ser votada neste semestre
A redução da jornada deverá ser votada no Congresso Nacional ainda no primeiro semestre de 2026. Uma das propostas em tramitação substitui o modelo atual — um dia de descanso a cada seis trabalhados — pela escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de folga semanais), o que pode impactar diretamente cerca de 76 milhões de trabalhadores.
Caso a redução seja para 40 horas semanais, no modelo 5×2, aproximadamente 45 milhões de trabalhadores seriam beneficiados.
Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), os dados apresentados pelo estudo reforçam que a redução da jornada é uma medida estratégica para geração de empregos, valorização do trabalho e promoção da saúde, sem prejuízo à economia.
com informações: brasil de fato.


