Por Kátia Branco
O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é uma data que carrega história, memória e luta. Mais do que um momento de homenagens, ele representa a resistência e a organização das mulheres, especialmente das mulheres trabalhadoras, que ao longo de décadas enfrentaram injustiças para conquistar direitos fundamentais.
A origem dessa data está diretamente ligada às mobilizações de trabalhadoras no final do século XIX e início do século XX, quando mulheres foram às ruas exigir melhores condições de trabalho, redução da jornada, salários dignos e direito à participação política. Foi nesse contexto que a revolucionária alemã Clara Zetkin propôs, em 1910, a criação de um dia internacional dedicado à luta das mulheres.
Desde então, o 8 de março se consolidou como um marco mundial de reflexão e mobilização. Décadas depois, em 1975, a Organização das Nações Unidas oficializou a data, reconhecendo a importância histórica da luta das mulheres por igualdade e justiça.
Ao longo dos anos, muitas conquistas foram alcançadas. No Brasil, as mulheres conquistaram o direito ao voto em 1932 e importantes avanços na legislação, como a Constituição de 1988, que reafirmou a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e a Lei Maria da Penha, fundamental no combate à violência doméstica.
No entanto, a realidade mostra que ainda há um longo caminho a percorrer.
As mulheres continuam enfrentando desigualdades profundas no mundo do trabalho. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ainda recebem, em média, cerca de 22% a menos que os homens no Brasil, mesmo quando exercem as mesmas funções. Além disso, seguem sendo minoria em cargos de liderança e decisão.
A violência de gênero também é uma grave realidade. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o feminicídio ainda atinge milhares de mulheres no país, revelando o quanto a sociedade precisa avançar no enfrentamento à cultura do machismo e da impunidade.
Outro desafio é a dupla jornada de trabalho. Mesmo quando estão inseridas no mercado formal, muitas mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e pelo cuidado com os filhos e familiares. Essa sobrecarga impacta diretamente suas oportunidades profissionais e sua qualidade de vida.
Por isso, o 8 de março deve ser compreendido como um dia de luta e mobilização. É o momento de reafirmar a necessidade de políticas públicas que garantam igualdade salarial, proteção contra a violência, acesso à educação e oportunidades reais de desenvolvimento para todas as mulheres.
Para nós, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a luta das mulheres trabalhadoras é parte fundamental da luta da classe trabalhadora. Não haverá justiça social sem igualdade de gênero.
É preciso fortalecer a participação das mulheres nos sindicatos, nos movimentos sociais e nos espaços de decisão. A presença das mulheres na política, nas direções sindicais e nas instituições é essencial para transformar a realidade e construir políticas que respondam às necessidades da maioria da população.
Neste 8 de março, reafirmamos nosso compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária. Seguiremos lutando contra todas as formas de violência, discriminação e exploração que atingem as mulheres.
Que esta data nos inspire a continuar avançando. A luta das mulheres não começou hoje e não termina aqui. Ela segue viva todos os dias, nas ruas, nos locais de trabalho, nas comunidades e nos movimentos sociais.
Porque quando as mulheres avançam, toda a sociedade avança.


