O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, reafirma a importância da mobilização permanente pelo fim da violência contra as mulheres. Entre as expressões mais graves dessa violência está o feminicídio — o assassinato de mulheres em razão de seu gênero — que continua a crescer no Brasil e exige respostas firmes do Estado e da sociedade.
Desde a aprovação da Lei do Feminicídio, que incluiu o feminicídio como circunstância qualificadora do homicídio no país, houve avanços no reconhecimento desse crime e na produção de dados oficiais. No entanto, organizações sociais e movimentos de mulheres alertam que os números seguem alarmantes e revelam a persistência de uma cultura de violência e desigualdade.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registra, em média, mais de mil casos de feminicídio por ano. Na maior parte das ocorrências, o crime é cometido por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, dentro do próprio ambiente doméstico.
Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o enfrentamento à violência contra a mulher precisa ser tratado como prioridade nas políticas públicas e também no mundo do trabalho. A central destaca que a desigualdade de gênero, a dependência econômica e a falta de proteção social contribuem para manter muitas mulheres em situações de vulnerabilidade.
A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Kátia Branco, ressalta que o combate ao feminicídio exige ação articulada entre governo, sociedade e movimento sindical.
“Não podemos naturalizar os altos índices de violência contra as mulheres no Brasil. O feminicídio é a expressão mais extrema de uma cultura machista que precisa ser enfrentada com políticas públicas, educação e garantia de direitos. No 8 de Março, reafirmamos nosso compromisso com a luta por uma sociedade onde nenhuma mulher tenha sua vida ameaçada simplesmente por ser mulher”, afirmou.
Outro marco importante na proteção das mulheres é a Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica. Mesmo assim, especialistas apontam que ainda há desafios na implementação da lei, como a ampliação da rede de atendimento, casas-abrigo e delegacias especializadas.
A CTB também destaca que a luta contra a violência de gênero está diretamente ligada à defesa da democracia, da justiça social e da igualdade. Para a central, fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres, ampliar o acesso à renda e garantir direitos no trabalho são medidas fundamentais para enfrentar o problema.
Neste 8 de Março, a CTB participa de atos e mobilizações em diversas cidades do país, levando às ruas a denúncia da violência, do feminicídio e das desigualdades que ainda marcam a vida das mulheres brasileiras.
Mais do que uma data simbólica, o Dia Internacional da Mulher segue sendo um chamado à organização e à luta por uma sociedade livre de violência, discriminação e opressão.


