O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um marco histórico da luta das mulheres por direitos, igualdade e melhores condições de vida e trabalho. Mais do que uma data comemorativa, o momento simboliza décadas de mobilização feminina em todo o mundo contra a desigualdade de gênero, a violência e a discriminação.
A origem da data está ligada às mobilizações de trabalhadoras no final do século XIX e início do século XX. Em 1908, cerca de 15 mil mulheres marcharam pelas ruas de Nova York reivindicando redução da jornada de trabalho, melhores salários e direito ao voto. Dois anos depois, em 1910, durante a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, na Dinamarca, a dirigente alemã Clara Zetkin propôs a criação de um dia internacional dedicado à luta das mulheres.
O 8 de março se consolidou mundialmente após a greve de trabalhadoras russas em 1917, que protestaram contra a fome e a guerra e deram início a um processo revolucionário que mudaria a história do país. Décadas depois, em 1975, a Organização das Nações Unidas reconheceu oficialmente a data como o Dia Internacional da Mulher.
Desafios ainda presentes
Apesar de importantes conquistas ao longo das décadas, as mulheres continuam enfrentando profundas desigualdades. No mercado de trabalho, por exemplo, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que as mulheres ainda recebem, em média, cerca de 22% a menos que os homens no Brasil, mesmo quando exercem funções semelhantes.
A violência de gênero também permanece como uma grave realidade no país. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é vítima de feminicídio a cada sete horas no Brasil, evidenciando a urgência de políticas públicas de proteção e combate à violência.
Outro desafio importante é a sub-representação feminina em espaços de poder e decisão. Mesmo sendo maioria da população, as mulheres ainda ocupam uma parcela reduzida de cargos políticos e de liderança no setor público e privado.
Luta das mulheres trabalhadoras
Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o 8 de março é também um momento de fortalecer a organização das mulheres da classe trabalhadora e ampliar a luta por direitos.
A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Kátia Branco, destaca que a data reafirma a importância da mobilização permanente por igualdade e justiça social.
“O 8 de março é um dia de memória, resistência e luta. As mulheres trabalhadoras seguem enfrentando desigualdades salariais, violência e sobrecarga de trabalho. Por isso, é fundamental fortalecer a organização e a participação das mulheres nos sindicatos e na sociedade para avançarmos na construção de um país mais justo e igualitário”, afirma.
Mobilização e resistência
No Brasil e em diversos países, o Dia Internacional da Mulher é marcado por manifestações, debates e atividades que denunciam a violência contra as mulheres, o feminicídio e a desigualdade no mundo do trabalho.
A CTB participa e incentiva as mobilizações em todo o país, reforçando a defesa de políticas públicas que garantam igualdade salarial, combate à violência de gênero, ampliação de direitos e maior participação das mulheres nos espaços de decisão.
Mais do que uma data simbólica, o 8 de março permanece como um chamado à ação. A luta das mulheres segue sendo fundamental para a construção de uma sociedade democrática, soberana e verdadeiramente igualitária.


