A votação do Projeto de Lei 67/2025, que propõe o fim da escala 6×1 e a adoção da jornada 5×2 sem redução salarial, foi adiada na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados após uma manobra articulada por setores patronais. A decisão, tomada nesta quarta-feira (18), acendeu o alerta do movimento sindical e reforçou a necessidade de intensificar a mobilização nacional em defesa da medida.
O adiamento ocorreu após a apresentação de um requerimento de retirada de pauta pelo deputado Zé Adriano (PP-AC), também ligado à federação industrial de seu estado. A iniciativa impediu a análise do projeto, de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que estabelece como limite a escala 5×2 — modelo considerado mais equilibrado para a saúde e qualidade de vida da classe trabalhadora.
Para a CTB, o adiamento não é apenas um procedimento regimental, mas uma clara tentativa de setores empresariais de barrar o avanço de um direito amplamente defendido pela sociedade. A central avalia que a manutenção da escala 6×1 atende a interesses econômicos que desconsideram os impactos sociais e humanos sobre os trabalhadores.
Presente à sessão, o presidente da CTB, Adilson Araújo, reforçou a importância de pressionar o Congresso para que o projeto avance. Segundo ele, a redução da jornada é uma pauta histórica do movimento sindical e dialoga diretamente com a necessidade de melhorar as condições de vida da população.
A própria autora da proposta criticou o adiamento e reafirmou a urgência da medida. De acordo com Daiana Santos, há uma demanda social consolidada pela revisão da escala 6×1, considerada ultrapassada e prejudicial, especialmente para mulheres e trabalhadores de setores mais precarizados.
O debate também ganhou respaldo do governo federal. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, classificou a escala 6×1 como “cruel” e defendeu sua superação como uma prioridade no Congresso. Ele destacou que a mudança para a jornada 5×2 representa não apenas um avanço social, mas também uma oportunidade de desenvolvimento econômico com melhor distribuição do tempo de trabalho.
Além de parlamentares e representantes do governo, a sessão contou com ampla participação de entidades sindicais e estudantis, evidenciando o caráter coletivo da luta pelo fim da escala 6×1. A mobilização deve se intensificar nos próximos dias, especialmente diante da nova previsão de votação, marcada para a próxima semana.
Para a CTB, o adiamento reforça a necessidade de ampliar a pressão popular. A central defende que o Congresso Nacional responda ao anseio da maioria da população, que já manifesta apoio à redução da jornada e ao fim da escala 6×1.
Nesse contexto, a campanha nacional ganha ainda mais relevância. A luta por uma jornada digna segue como prioridade para o movimento sindical, que vê na escala 5×2 um passo fundamental para garantir mais qualidade de vida, saúde e tempo livre para milhões de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil.


