Cresce isolamento dos EUA na greve ilegal contra o Irã

Em vez de tornar os EUA “grande novamente” a política neofascista do governo Donald Trump está conduzindo Washington a um crescente isolamento internacional e tende a produzir um efeito contrário ao prometido e desejado, acelerando o declínio de sua hegemonia e a transição para uma nova ordem mundial liderada pela China e os países que compõem o Brics, com destaque para a Rússia. Nesta segunda-feira (30), por sinal, o petroleiro russo Anatoly Kolodkin rompeu o bloqueio estadunidense e aportou em Cuba com 730 mil barris de petróleo bruto, numa vigorosa demonstração da solidariedade de Moscou com a ilha socialista.

Na Europa, também na contramão do imperialismo agressivo e descarado do governo Trump, a Espanha decidiu fechar seu espaço aéreo para voos ligados aos ataques contra o Irã e também negou aos Estados Unidos o uso de duas bases militares em território espanhol, segundo informações confirmadas pelo governo e pelas Forças Armadas.

Segundo o jornal El País, que consultou fontes militares, a Espanha não autorizou a utilização das bases de Rota, em Cádiz, e Morón de la Frontera, em Sevilha, para operações de combate ou reabastecimento aéreo relacionadas à ofensiva. Além disso, também vetou o uso do espaço aéreo espanhol por aeronaves americanas posicionadas em outros países, como Reino Unido e França.

A informação foi posteriormente confirmada por fontes do governo espanhol ouvidas pela Europa Press.

“Guerra ilegal”, diz Sanches

Na semana passada, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou no Parlamento que o país recusou colaborar com a operação militar.

“Não autorizamos a utilização das bases de Rota e Morón para esta guerra ilegal”, declarou. “Todos os planos de voo relacionados com a operação no Irã foram rejeitados, incluindo aeronaves de reabastecimento.”

Sánchez reconheceu que a decisão não foi simples, mas defendeu a posição adotada pelo governo. “Fizemos isso porque o acordo bilateral permite e porque somos um país soberano que não quer participar de guerras ilegais”, afirmou.

Segundo o El País, nas semanas que antecederam os primeiros ataques, iniciados em 28 de fevereiro, houve negociações intensas entre Madri e Washington sobre o papel da Espanha no contexto militar, que terminaram com a decisão de veto.

Desde o início do conflito, o governo espanhol condena tanto os ataques liderados por EUA e Israel quanto a resposta do Irã. Para Sánchez, a guerra foi iniciada fora das normas do direito internacional.

Desastre absoluto

O premiê classificou o cenário como um “desastre absoluto” e afirmou que a situação atual é ainda mais grave do que a guerra do Iraque, em 2003.

Ele destacou que o Irã é uma potência militar e econômica relevante, com impacto global, e criticou a falta de um objetivo claro na ofensiva, além da ausência de consulta prévia a aliados.

Sánchez também lembrou que os ataques ocorreram em um momento em que havia sinais de avanço nas negociações diplomáticas com Teerã e quando autoridades americanas indicavam não haver ameaça nuclear iminente.

Para o líder espanhol, o conflito tem provocado instabilidade no Oriente Médio, prejudicado a economia global e contribuído para o fortalecimento da Rússia, ao mesmo tempo em que enfraquece a Ucrânia.

Isolamento interno

Outros países europeus, embora vacilantes, mantêm uma posição reticente em relação ao conflito provocado pelos Estados Unidos em aliança com o regime sionista de Israel e à margem da ONU, dos próprios aliados e do Direito Internacional.

Internamente, a guerra também tem contribuído fortemente para a desmoralização de Donald Trump, que fez uma campanha criticando as guerras e prometendo paz. A demissão do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, que afirmou estar renunciando ao cargo por não poder, “em sã consciência, apoiar a guerra com o Irã”, um atoleiro no qual a Casa Branca se meteu por influência de Israel.

No domingo (29) milhões de norte-americanos foram às ruas em protesto contra o governo de Donald Trump, no que muitos observadores já consideram a maior manifestação da história do país.

Uma pesquisa de abrangência nacional nos Estados Unidos indicou que apenas 33% dos entrevistados aprovam o governo de Donald Trump, ante 38% em julho de 2025 e 44% em abril daquele ano. O levantamento realizado entre os dias 20 e 25 de março apontou que 62% dos 1.000 entrevistados desaprovam o desempenho de Trump, ante 56% em junho do ano passado.

O descontentamento com a guerra injustificada contra o Irã e a inflação, alavancada pela alta dos preços dos combustíveis, é a principal causa da indignação do povo com os líderes neofascistas da maior potência capitalista do planeta, que parecem estar a caminho de uma significativa derrota nas eleições legislativas de novembro, quando estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço do Senado americano.

Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

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