Complexo de vira-lata

Foto: Marcela Rodrigues.

Por: Adilson Araújo, presidente da CTB

A expressão “complexo de vira-lata” foi criada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues em 1950 com o propósito de descrever o sentimento de inferioridade e subserviência disseminado em nosso país em relação às nações do chamado 1º Mundo, especialmente os EUA.
É algo muito comum no seio das classes dominantes e de seus líderes e representantes políticos, ou em setores das classes dominantes brasileiras. Temos um bom exemplo da manifestação dessa doença na conduta bizarra e deplorável do senador Flávio Bolsonaro, durante recente conchavo da extrema direita no Texas (EUA).

Entreguismo

Em sua intervenção no encontro fascista, o filho do capitão golpista, hoje amargando a prisão domiciliar, prometeu entregar ao comando dos imperialistas de Washington reservas brasileiras de minerais estratégicos, como as terras raras — como se o Brasil não tivesse competência para gerir seus preciosos recursos naturais.

Orientado por um anticomunismo canhestro e reacionário, o número 1 do clã Bolsonaro procurou justificar o entreguismo, acenando com o fantasma do comunismo chinês. “O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos”, proclamou em troca do apoio do imperialismo à sua campanha para a Presidência da República.

Quando os EUA intervieram, direta ou indiretamente, no cenário político brasileiro, foi em defesa dos seus próprios interesses e invariavelmente contra os direitos do povo, em detrimento da democracia e do desenvolvimento nacional.

62 anos atrás

Assim foi no golpe militar de 1964, que teve seus torturadores treinados pelos agentes da CIA e acabou levando o Brasil à bancarrota. No rastro de uma brutal recessão iniciada em 1981, o comando da economia nacional foi entregue ao famigerado FMI, e os generais foram apeados do poder em 1985, após a memorável campanha por eleições diretas para a Presidência.

Convém lembrar que eles também estiveram por trás do golpe do capital contra o trabalho, em 2016, quando instruíram o ex-juiz Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava Jato a promover a lawfare que resultou na condenação e prisão do presidente Lula. Antes disso, andaram espionando a presidenta Dilma Rousseff e autoridades do governo brasileiro, bem como empresas como a Petrobras e a Odebrecht.

Em nações que prezam pela soberania e rejeitam ingerências externas em temas políticos domésticos, o comportamento do senador que enriqueceu ilegalmente com as rachadinhas não seria tolerado, uma vez que configura clara ofensa à dignidade e aos interesses da pátria. Seria punido com a inelegibilidade e até a prisão.

No Brasil, para desgraça dos nativos, as classes dominantes e seus representantes são cúmplices e lacaios do imperialismo, de modo que desprezam os valores, bem como a soberania e a cultura nacionais.

Na contramão da história

Embora seja celebrado em círculos frequentados pela alta burguesia e por seus políticos, o complexo de vira-lata, expresso na conduta servil e entreguista, não merece o apoio do povo brasileiro e deve ser rejeitado e condenado nas urnas, inclusive porque tem um alto custo para o desenvolvimento e os interesses nacionais.

Ademais, o alinhamento subserviente do Brasil aos EUA não está em sintonia com as tendências objetivas da história. Os EUA hoje são como a Inglaterra no início do século 20: um império em decadência, líder de uma ordem mundial em franca decomposição, que mais cedo ou mais tarde deve dar lugar a um novo arranjo geopolítico internacional em que a vontade dos imperialistas de Washington já não será predominante.

A megalomania de Donald Trump não pode evitar esse destino, apesar da supremacia militar. Longe de tornar os Estados Unidos “grandes de novo”, o imperialismo descarado do atual chefe da Casa Branca está isolando o país e deve acelerar, em vez de interromper, a transição em curso para uma nova ordem mundial liderada pela China e pelo BRICS.

Isso me parece inevitável, a menos que uma guerra nuclear encerre prematuramente o drama da civilização humana no planeta Terra. O entreguismo do clã Bolsonaro caminha na contramão da história. O futuro do Brasil está no BRICS, no Sul Global e na integração dos países latino-americanos e caribenhos.

Fonte: CTB https://share.google/pknosXJpP8AgIp48b

Fonte: CTB https://share.google/UCK0Niv4nPIeIt6ts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

CTB
Visão geral de privacidade

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência enquanto navega pelo site. Destes, os cookies que são categorizados como necessários são armazenados no seu navegador, pois são essenciais para o funcionamento das funcionalidades básicas do site. Também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa este site. Esses cookies serão armazenados em seu navegador apenas com o seu consentimento. Você também tem a opção de cancelar esses cookies. Porém, a desativação de alguns desses cookies pode afetar sua experiência de navegação.