Um Brasil sob tortura: ato na UFBA resgata memória de vítimas da ditadura

Na tarde desta semana, a Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi palco de um ato marcado por emoção, memória e reivindicação por justiça histórica. A cerimônia de entrega de certidões de óbito de pessoas assassinadas e desaparecidas durante a Ditadura Militar no Brasil reuniu familiares, militantes e representantes de movimentos sociais.

As vítimas, perseguidas a partir do golpe de 1964, foram em sua maioria presas, torturadas e assassinadas por lutarem por direitos e liberdades democráticas. Durante décadas, muitas dessas pessoas permaneceram sem reconhecimento oficial de suas mortes, ou tiveram suas histórias distorcidas em documentos que as classificavam como “subversivas” ou “criminosas”.

Passados 62 anos do golpe, o Estado brasileiro começa, ainda que de forma tardia, a corrigir parte dessa injustiça histórica. A entrega das certidões representa não apenas um reconhecimento formal, mas também um gesto simbólico de reparação às famílias, que por décadas conviveram com a ausência, a dor e a impossibilidade do luto.

Para muitos familiares, o momento significou um breve respiro após anos de sofrimento. “Sepultar nossos entes é um dos ritos mais importantes para qualquer sociedade. Ontem, ainda que parcialmente, foi possível realizar esse gesto”, relataram participantes do ato.

Apesar do avanço, o sentimento predominante foi de que a reparação ainda está longe de ser completa. A violência praticada pelo Estado durante o período ditatorial deixou marcas profundas e permanentes. Famílias foram destruídas, histórias interrompidas e gerações inteiras impactadas por um luto contínuo.

Os participantes também destacaram que os reflexos desse passado ainda se fazem presentes no Brasil contemporâneo. A permanência de práticas autoritárias, desigualdades sociais, violência estrutural e violações de direitos humanos foram apontadas como sinais de que o país ainda precisa enfrentar suas raízes históricas.

A crítica se estende à presença de discursos e práticas herdadas do autoritarismo em diferentes esferas de poder — dos parlamentos às forças de segurança —, além de problemas sociais persistentes como a misoginia, o feminicídio e a violência contra crianças, jovens e idosos.

O ato na UFBA reforçou a importância da memória como instrumento de justiça e transformação social. Mais do que um resgate do passado, a iniciativa foi também um chamado à construção de um futuro baseado na dignidade humana e no respeito aos direitos fundamentais.

Ao final, a mensagem ecoou entre os presentes como um compromisso coletivo: tortura e ditadura nunca mais.

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