Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é uma data fundamental para ampliar o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reforçar a necessidade de políticas públicas que garantam inclusão, dignidade e qualidade de vida às pessoas autistas e suas famílias. Instituído pela Organização das Nações Unidas, o dia também marca o início do Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o tema em todo o mundo.
Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a data vai além de um momento simbólico. Trata-se de um chamado permanente à sociedade para combater o preconceito, promover o acesso a direitos e ampliar a compreensão sobre o espectro autista, especialmente no mundo do trabalho, onde ainda há muitos desafios a serem superados.
A secretária nacional de Gêneros e Diversidade da CTB, Jhay Lopes, compartilhou um relato pessoal que evidencia a importância do diagnóstico e do autoconhecimento, sobretudo na vida adulta. Em seu depoimento, ela destaca as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos até compreender sua condição.
“Olá, eu sou Jhay Lopes. Talvez você me conheça pela educação, pela pedagogia, por ser mãe, por ser avó, por ser ativista. Eu sempre fui muitas, mas só agora, com o diagnóstico do autismo na vida adulta, é que eu finalmente consigo me apresentar por mim mesma”, afirma.
Jhay relata que passou por anos de tratamentos sem sucesso, diagnósticos equivocados e uso de medicamentos que não trouxeram resultados, um cenário comum para muitas pessoas autistas que não são diagnosticadas precocemente. Para ela, o diagnóstico representa um ponto de virada.
“O que vem depois do diagnóstico é o autoconhecimento. É entender o passado para construir qualidade de vida no presente e no futuro”, ressalta.
A dirigente também chama atenção para a necessidade de romper com estigmas ainda muito presentes na sociedade. “Autismo não tem cara. Autismo não é moda. E não, nem todo mundo é um pouco autista. Nenhum nível é leve para quem vive e para quem convive”, enfatiza.
Outro ponto destacado por Jhay Lopes é a invisibilidade das pessoas autistas adultas. Segundo ela, ainda há uma visão limitada que associa o autismo exclusivamente à infância, ignorando que pessoas autistas crescem e continuam enfrentando desafios ao longo de toda a vida.
“O autista cresce. Ele não para na infância. E autismo não é doença”, afirma.
A CTB reforça que a luta por inclusão das pessoas autistas passa diretamente pelo fortalecimento de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e trabalho, além da promoção de ambientes mais acessíveis e acolhedores. No mundo do trabalho, isso significa garantir oportunidades reais, combater a discriminação e respeitar as especificidades de cada indivíduo.
Neste 2 de abril, a central convoca toda a sociedade a refletir: como estamos enxergando — ou ignorando — as pessoas autistas, especialmente na vida adulta? A conscientização precisa ir além de uma data no calendário e se transformar em prática cotidiana de respeito, empatia e inclusão.
Afinal, como destaca Jhay Lopes, o espectro é amplo — e a escuta, o diálogo e a informação são caminhos essenciais para uma sociedade mais justa e verdadeiramente inclusiva.


