Por: Débora Mellecchi, secretária de saúde do trabalhador da CTB
O dia 7, reconhecido mundialmente como o Dia Mundial da Saúde, abre o mês de abril (Abril Verde), que também inclui o dia 28 de abril, Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho, encerrando a campanha.
Os 30 dias do mês de abril são um chamado à reafirmação do direito fundamental à vida digna, especialmente para a classe trabalhadora, que diariamente constrói a sociedade com seu trabalho e consciência coletiva. É também um momento para lembrar que cada vida perdida deve reforçar a urgência de lutar por condições de trabalho seguras, dignas e que preservem a vida acima de qualquer interesse.
O Abril Verde é um período que amplia a visibilidade para a saúde e a segurança no trabalho, denunciando condições precárias e reforçando a urgência de ambientes laborais que respeitem a integridade física e mental das trabalhadoras e dos trabalhadores.
A implementação efetiva da NR-1 se coloca como um instrumento essencial nesse processo, pois estabelece diretrizes gerais para a prevenção de riscos ocupacionais e fortalece a cultura de proteção no ambiente de trabalho. Mais do que uma norma técnica, sua aplicação representa um compromisso concreto com a vida, exigindo responsabilidade dos empregadores e vigilância ativa da sociedade. Garantir que a NR-1 saia do papel é assegurar que a prevenção seja prioridade, evitando acidentes, doenças ocupacionais e mortes evitáveis.
Nesse cenário, o combate ao adoecimento mental ganha centralidade. As relações de trabalho precarizadas, marcadas por sobrecarga, insegurança, metas abusivas e ausência de reconhecimento, têm produzido um sofrimento silencioso, que afeta profundamente a saúde das pessoas.
Nesse contexto, torna-se urgente defender o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho como medidas de justiça social e promoção da dignidade humana. Jornadas exaustivas, com descanso insuficiente, comprometem a saúde física e mental das trabalhadoras e dos trabalhadores, além de limitar o convívio familiar, o lazer e o pleno desenvolvimento pessoal. Reduzir a jornada, sem redução de salários, é reconhecer que o trabalho deve servir à vida — e não o contrário —, distribuindo melhor o tempo, ampliando oportunidades e contribuindo para uma sociedade mais equilibrada, saudável e justa.
Diante disso, falar de saúde no Abril Verde exige unidade e mobilização da classe trabalhadora. A CTB, por meio da organização coletiva, reafirma seu engajamento na conquista de direitos, no fortalecimento de políticas públicas e na garantia da efetividade das normas de proteção.
O Abril Verde é um marco de luta e consciência, convocando trabalhadoras e trabalhadores a se unirem em defesa da vida, da saúde e de condições de trabalho seguras e humanas, promovendo bem-estar, respeito e dignidade.


