Por Adilson Araújo, presidente da CTB
Os resultados das eleições realizadas no último domingo revelaram um avanço preocupante da extrema-direita bolsonarista, que logrou ampliar sua bancada no Congresso Nacional, especialmente no Senado, além da vantagem relativa obtida pelo seu candidato à Presidência no primeiro turno. O crescimento do neofascismo não é um fenômeno singular ou particular do Brasil. Trata-se de uma tendência internacional que tem como pano de fundo a crise do capitalismo e a decomposição da ordem imperialista conformada pelos Acordos de Bretton Woods em 1944, sob a hegemonia dos Estados Unidos.
Na América Latina, a extrema-direita está claramente a serviço do imperialismo e subordinada à estratégia de Washington, que tem por objetivo a recomposição de sua decadente liderança econômica e a contenção da ascensão da China. O país asiático é, hoje, o principal parceiro comercial do Brasil e de diversas outras nações da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).
Soberania nacional
Para sabotar e desestabilizar o governo Lula, bem como defender o clã Bolsonaro, a Casa Branca — sob a liderança de Donald Trump — impôs um “tarifaço” às exportações brasileiras, empreendeu uma campanha bilionária contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e sancionou autoridades do governo federal e do Poder Judiciário.
A agenda da extrema-direita, inteiramente subordinada aos interesses estrangeiros, prevê a transformação da nação brasileira em uma neocolônia de Washington. Esse projeto visa entregar as nossas riquezas — nomeadamente as terras raras, outros minerais críticos e o nosso petróleo — às multinacionais e ao governo dos EUA. Constam também dessa agenda o fim do Direito do Trabalho e da Justiça do Trabalho, além de novos golpes contra a democracia e as liberdades, abrindo caminho para a implantação de um regime abertamente fascista, como pretendia o golpista Jair Bolsonaro.
Questão de vida ou morte
Nesse contexto, a reeleição do presidente Lula se transformou em uma questão de vida ou morte para as forças democráticas e para as organizações sindicais e políticas da classe trabalhadora.
O debate dos temas centrais que de fato estão em jogo no pleito foi ofuscado pela exploração sensacionalista de escândalos e pelas ligações perigosas entre ministras do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro. Uma verdadeira cortina de fumaça foi criada pelas mídias hegemônicas nesse sentido. Neste segundo turno, a tentativa de desviar a atenção do eleitorado persistirá.
Por isso, é essencial redobrar os esforços para mostrar ao povo brasileiro o que realmente está em jogo, desmascarando os traidores da pátria e os inimigos da classe trabalhadora e da democracia. É preciso derrotar categoricamente a extrema-direita para preservar a soberania nacional, a democracia e os direitos sociais.


