Flávio Bolsonaro perde força após debate e Lula encosta, aponta Quaest

Na foto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) | Crédito: Reprodução ABr/ Agência Senado

Senador do PL recua nas intenções de voto, enquanto presidente mantém 44%; na pesquisa espontânea, ambos aparecem com 40%, mas Flávio sofre queda maior e expõe dificuldades para consolidar apoio

A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se firmar como alternativa à Presidência da República enfrenta dificuldades. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostra que o senador perdeu um ponto percentual nas intenções de voto para o segundo turno, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve seu patamar. O resultado reduziu a vantagem numérica de Flávio e deixou a disputa ainda mais apertada: 45% para o senador e 44% para Lula, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O levantamento foi realizado entre 17 e 20 de outubro, após o debate da Band, as sabatinas da Globo, manifestações em apoio a Lula e a aprovação e promulgação do fim da escala 6×1. Nesse cenário, Flávio não conseguiu ampliar sua vantagem sobre o atual presidente.

Na pesquisa anterior, de 14 de outubro, o senador tinha 46%, contra 44% de Lula. Agora, além de perder um ponto, vê a diferença cair pela metade. O movimento enfraquece a tentativa de transformar a vantagem numérica em uma dianteira consistente na corrida eleitoral.

Flávio cai mais na pesquisa espontânea.

O quadro fica ainda mais desfavorável para o senador na pesquisa espontânea, em que os entrevistados indicam seus candidatos sem receber uma lista de nomes. Lula e Flávio aparecem com 40% cada, mas as trajetórias são de queda para ambos: o senador perdeu três pontos percentuais, enquanto o presidente recuou dois.

A queda mais acentuada de Flávio nesse indicador sugere dificuldade para sustentar o próprio patamar de apoio sem a apresentação direta dos candidatos. O empate também mostra que o senador ainda não conseguiu abrir uma distância segura em relação a Lula.

Além disso, 9% dos entrevistados afirmam que pretendem votar em branco ou nulo, ou não comparecer às urnas. Outros 2% continuam indecisos. São eleitores que podem ter peso importante na definição do segundo turno.

Eleitores de outros candidatos não garantem vantagem a Flávio

A pesquisa também investigou como os eleitores dos candidatos do primeiro turno estão se posicionando na disputa. Os números revelam um cenário heterogêneo, sem uma transferência uniforme de votos para o senador do PL.

Entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), Lula avançou de 34% para 48%, enquanto Flávio passou de 30% para 33%. O crescimento do presidente nesse segmento contraria a expectativa de que o senador pudesse ampliar sua base com facilidade.

Já entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Flávio apresentou seu melhor resultado: passou de 42% para 57%. Lula oscilou de 23% para 21%. O desempenho favorável ao senador nesse grupo, porém, não se reproduz de maneira generalizada nos demais recortes.

Entre os eleitores de Renan Santos (Missão), Flávio subiu de 40% para 51%, enquanto Lula avançou de 14% para 25%. Embora o senador mantenha a dianteira, o crescimento do presidente mostra que a disputa pelo eleitorado de outros candidatos permanece aberta.

As margens de erro dessas análises por grupos são consideravelmente maiores do que a margem geral da pesquisa. Por isso, os percentuais devem ser interpretados com cautela.

Disputa segue aberta

Entre os eleitores que não votaram no primeiro turno ou escolheram branco ou nulo, Lula passou de 43% para 40%, enquanto Flávio recuou de 38% para 36%. Nesse grupo, a parcela dos que pretendem votar em branco ou nulo, ou não comparecer, aumentou de 17% para 21%.

O levantamento mostra que Flávio Bolsonaro ainda não transformou sua vantagem numérica em liderança consolidada. A queda nas intenções de voto e o recuo mais expressivo na pesquisa espontânea indicam que a disputa continua aberta, com Lula mantendo um patamar competitivo e o senador sem margem para tratar a dianteira como uma vitória antecipada.

Metodologia: a pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre 17 e 20 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.

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