A economia brasileira deve encerrar o ano registrando um modesto crescimento do PIB, com a taxa de desemprego no menor patamar da série histórica do IBGE e o rendimento médio do brasileiro superior ao de 2024.
Mas o final do ano emite sinais preocupantes para o desempenho futuro da produção no Brasil. Em outubro, a economia recuou 0,3% em comparação com setembro. Foi o segundo mês consecutivo de queda.
Há, hoje, um amplo consenso sobre a causa deste comportamento negativo das atividades: as extorsivas taxas de juros e spread bancário.
Protestos
O país vai fechar 2025 com a segunda maior taxa de juros real (descontada a inflação) do mundo, o que constitui um freio poderoso à expansão do PIB.
Na última reunião do ano, realizada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), a Selic foi mantida em 15% ao ano, apesar das manifestações de protesto realizadas pelos representantes da classe e setores do empresariado ligados ao setor produtivo.
Ao longo do ano, a CTB e as demais centrais sindicais realizaram vários atos políticos diante da sede e das representações do Banco Central para exigir a mudança da política monetária, com a redução da taxa de juros para patamares compatíveis com as necessidades de desenvolvimento do país e com as taxas de juros vigentes na maioria dos outros países.
Os juros altos são apontados por muitos economistas como o mais sério obstáculo ao crescimento da economia brasileira, perpetuando em nosso país o que foi designado de voo de galinha, numa alusão à baixa taxa de crescimento que tem caracterizado os ciclos econômicos no país nas quatro últimas décadas.
Banqueiros e rentistas
Além de deprimir o consumo das famílias e os investimentos produtivos, a atual política monetária impõe fortes restrições fiscais ao Estado, uma vez que o pagamento de juros consome cerca de 50% do orçamento do governo federal.
A dívida pública, que cresce como uma bola de neve impulsionada pela lógica dos juros compostos, transformou-se no principal meio de valorização e reprodução ampliada do capital portador de juros, em outras palavras, o enriquecimento de banqueiros e rentistas, nacionais e estrangeiros, cuja contrapartida é a semi estagnação do PIB e o empobrecimento relativo da nação.
Os juros altos atuam em parceria com as restrições da política fiscal para frear a economia, conspirando contra o desenvolvimento nacional.
Conforme sinaliza a resolução política aprovada na última reunião da direção da CTB, “a possibilidade de crescimento mais vigoroso da economia e do bem estar social só poderá ser transformada em realidade com mudanças profundas na política macroeconômica, com destaque para as políticas monetária e fiscal”.
Desta forma, a luta pela mudança da política macroeconômica, em especial as batalhas contra o juros extorsivos, continuará ocupando o lugar de destaque na agenda da CTB e do movimento sindical no próximo ano.


