A tarde desta quarta-feira, 25 de fevereiro, marcou a realização da primeira mesa de debates do 1º Encontro Nacional de Trabalhadores do Comércio e Serviços da CTB, no auditório do Sindicomerciários Caxias, em Caxias do Sul. Com o lema “Pelo fim da escala 6×1 e mais tempo para viver!”, o encontro reúne dirigentes sindicais de diversas regiões do país e também representantes internacionais para discutir os desafios da classe trabalhadora em 2026.
A mesa de abertura contou com a saudação dos anfitriões Nilvo Riboldi, presidente do Sindicomerciários Caxias, e Iva Perrone, vice-presidente da entidade, além de importantes lideranças do movimento sindical: Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro; Guiomar Vidor, presidente da FECOSUL RS; Rodrigo Callais, presidente da CTB RS; Jair Ubirajara, presidente da FECHS RS; Dalva Leite, dirigente comerciária da Bahia; Nivaldo Santana e Ronaldo Leite, da CTB nacional, entre outros dirigentes.
Conjuntura internacional e desafios democráticos
Abrindo os debates, Nivaldo Santana, secretário-adjunto de Relações Internacionais da CTB Nacional, apresentou uma análise da atual conjuntura internacional. Ele destacou a complexidade do cenário global, marcado pela tendência à multipolaridade, pelos ataques ao multilateralismo e à soberania dos povos — citando a postura imperialista do presidente norte-americano, líder da extrema-direita mundial, Donald Trump — e pelos reflexos desses movimentos reacionários na América Latina, tais como o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o asfixiamento da Cuba.
Santana também ressaltou que o Brasil vive um processo de reconstrução sob o governo Lula, após o que classificou como um período de desmonte institucional e de ataques sucessivos à democracia durante o governo Bolsonaro. Para ele, as eleições deste ano são centrais para o futuro do país, diante da força que ainda demonstra a extrema-direita e sua tentativa de barrar os avanços sociais e econômicos que vem sendo conquistados no atual governo.
Eleições e unidade da classe trabalhadora
O secretário-geral da CTB, Ronaldo Leite, afirmou que a principal agenda do movimento sindical em 2026 é o processo eleitoral. Segundo ele, é fundamental garantir a reeleição do presidente Lula como forma de impedir o retorno da extrema-direita ao poder.
Leite destacou ainda diversos compromissos de luta no primeiro semestre, como a mobilização das centrais sindicais em torno da Conferência Nacional do Trabalho, que ocorrerá em 15 de abril, em Brasília. O evento unitário das centrais deverá consolidar um documento com a pauta de reivindicações da classe trabalhadora a ser entregue ao governo e aos demais poderes da república.
Citando a luta fundamental deste período que é pelo fim da escala 6×1, com a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução dos salários, o dirigente assinalou que o movimento sindical também precisa fortalecer a unidade e ampliar a organização da classe trabalhadora em defesa de direitos, empregos e desenvolvimento com justiça social.
A realidade argentina e a luta contra a extrema-direita
Representando o Sindicato dos Comerciários da Província de Buenos Aires, na Argentina, Nicolas Alaris trouxe um panorama da situação dos trabalhadores sob o governo de Javier Milei. Ele relatou os impactos das políticas de austeridade e alertou para a necessidade de fortalecer a luta dos povos latino-americanos contra a extrema-direita.
Alaris defendeu que é preciso compreender por que parte da classe trabalhadora votou em Milei na Argentina e em Bolsonaro no Brasil, apontando a importância da disputa de consciência e da organização popular.
Programação segue até sexta-feira
O Encontro Nacional segue nesta quinta e sexta-feira com debates sobre a participação das mulheres e da juventude no movimento sindical, a importância da comunicação sindical, os riscos psicossociais previstos na NR-01, a precarização nas relações de trabalho e, especialmente, a luta pelo descanso semanal remunerado e pela redução da jornada com o fim da escala 6×1.
Na sexta-feira, o evento será encerrado com uma caminhada pelas ruas de Caxias do Sul em defesa do fim da escala 6×1 e por mais tempo para viver, reforçando o compromisso da CTB com a mobilização permanente em defesa da classe trabalhadora.


