Feminicídios expõem escalada da violência contra as mulheres e reforçam urgência de políticas públicas efetivas

Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) manifesta profunda indignação diante dos recentes casos de feminicídio registrados no Brasil. As mortes de mulheres jovens, mães e trabalhadoras revelam, mais uma vez, a face cruel da violência de gênero no país e a necessidade urgente de fortalecer políticas públicas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.

Na Zona Norte da capital paulista, no bairro Brasilândia, Priscila — trabalhadora autônoma e mãe de três crianças, de seis anos, quatro anos e um bebê de seis meses — foi levada morta a um hospital pelo companheiro, apontado como suspeito do crime. Segundo informações do boletim de ocorrência, o homem apresentou versões contraditórias aos policiais. Familiares relatam que Priscila vivia um relacionamento abusivo e já havia sofrido agressões anteriores.

O caso ocorre no mesmo contexto de outra tragédia que chocou o país: a morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada pelo ex-companheiro. Tainara também era mãe de dois filhos.

Em São Bernardo do Campo (SP), mais um crime brutal foi registrado. Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, foi assassinada dentro da joalheria onde trabalhava, em um shopping da cidade, pelo ex-namorado que não aceitava o fim do relacionamento. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o agressor invadiu o local armado e fez a jovem refém. Cibelle não resistiu aos ferimentos. O caso foi registrado como feminicídio e é investigado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A vítima já havia registrado boletins de ocorrência e possuía medida protetiva de urgência.

Em Minas Gerais, na cidade de Campos Altos, no Alto Paranaíba, Priscila Beatriz Assis Teixeira, de 38 anos, foi morta a facadas na porta de casa após recusar um beijo de um jovem de 18 anos. O filho da vítima, de apenas oito anos, presenciou o crime. O suspeito foi preso e responderá por feminicídio.

Os três casos têm elementos em comum: violência motivada por sentimento de posse, não aceitação do término de relacionamento e a cultura machista que naturaliza o controle sobre a vida das mulheres. São histórias que deixam órfãos, famílias devastadas e comunidades traumatizadas.

Para a secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Katia Branco, é preciso dar um basta à naturalização da violência e cobrar medidas concretas do poder público. “Não podemos continuar assistindo mulheres serem assassinadas por companheiros, ex-companheiros ou por homens que não aceitam uma recusa. Isso não é crime passional, é feminicídio, é resultado de uma cultura machista que trata a mulher como propriedade. O Estado precisa garantir proteção efetiva, fortalecer as políticas públicas e assegurar que medidas protetivas sejam cumpridas. Cada mulher assassinada representa uma falha coletiva que precisa ser enfrentada com seriedade e compromisso”, afirmou.

A CTB reforça que o enfrentamento ao feminicídio exige mais do que comoção momentânea. É fundamental ampliar a rede de proteção às mulheres, garantir o cumprimento efetivo das medidas protetivas, investir em políticas de prevenção, fortalecer os serviços públicos de acolhimento e promover educação para a igualdade de gênero desde a infância.

Além disso, é indispensável que o Estado assegure recursos adequados para casas-abrigo, delegacias especializadas, centros de referência e campanhas permanentes de conscientização. A violência contra a mulher não pode ser tratada como caso isolado — trata-se de um problema estrutural, que demanda resposta estrutural.

A Central se solidariza com os familiares e amigos das vítimas e reafirma seu compromisso histórico na luta por uma sociedade livre da violência machista, onde mulheres possam viver, trabalhar e existir com dignidade e segurança.

Basta de feminicídio.
Vivas, livres e com direitos.

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