Argentina parou nesta sexta-feira com outra greve geral contra reforma trabalhista de Milei

Entre outros retrocessos, o projeto do governo de extrema direita estabelece o aumento da jornada de trabalho para 12 horas diárias, na contramão da tendência predominante na história sob o impulso de novas tecnologias que, como a IA, reduzem o tempo de trabalho necessário à produção de mercadorias. A reação indignada da classe trabalhadora é geral e massiva

Sindicatos de diferentes setores da Argentina decidiram fazer uma nova paralisação nesta sexta-feira, 27, em meio ao início da votação no Senado da reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier.

É a segunda greve geral em poucos dias contra a reforma, que a exemplo da que foi realizada no Brasil durante o governo Temer reduz e flexibiliza vários direitos conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras.

A paralisação foi organizada pela Frente Sindical Unida (FreSU), que reúne mais de 100 sindicatos, entre eles a Associação dos Trabalhadores do Estado, o Sindicato dos Metalúrgicos e o Sindicato dos Petroleiros.

Com duração prevista de 24 horas, o protesto teve início à meia-noite desta sexta-feira. Segundo as entidades organizadoras, a partir desse horário, apenas o número mínimo de funcionários está garantido nos hospitais, assim como exclusivamente voos médicos e estatais operados pela Administração Nacional de Aviação Civil. Dezenas de serviços serão afetados, incluindo a coleta de lixo, as polícias municipais e os agentes de trânsito.

Os manifestantes se concentraram a partir das 10h na Avenida de Mayo, uma das principais vias de Buenos Aires, e seguiram em marcha até o Congresso.

A outra greve geral ocorreu na quinta-feira da semana passada (19) e teve adesão de sindicatos de transporte, trabalhadores do setor público, empregados do comércio e serviços bancários, entre outros.

Um dos setores mais impactados pela paralisação foi o de aviação. A Aerolíneas Argentinas informou que mais de 31 mil passageiros serão afetados pelo cancelamento de 255 voos. A medida terá um impacto econômico estimado em US$ 3 milhões. No Brasil, pelos menos 29 voos com procedência ou destino à Argentina foram cancelados.

Retrocessos

As reações negativas são generalizadas. Entre as mudanças que constam na reforma trabalhista estão a flexibilização das regras de contratação, a alteração do sistema de férias, a extensão da jornada de trabalho de oito para 12 horas e o pagamento de salários em moeda estrangeira. O texto proposto pelo governo Milei também prevê a limitação do direito à greve, o teto das indenizações por demissão, a redução de auxílios-doença e a restrição da capacidade dos trabalhadores de reivindicar indenizações após a demissão.

O protesto realizado na semana passada não impediu a votação da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados. A proposta foi aprovada com alterações, razão e foi reencaminhada ao Senado.

O que ocorre na Argentina deve servir de alerta aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras, pois mostra que a extrema direita tem uma agenda comprometida com os interesses dos grandes capitalistas e frontalmente hostil à classe trabalhadora.

Isso ficou evidente também por aqui com a promessa do presidente do Partido Liberal (PL), Waldemar Costa Neto, a líderes empresariais de que vai “dar a vida” para impedir que a proposta de redução da jornada de trabalho e fim da desumana escala 6×1 seja votada e aprovada pelo Congresso Nacional.

O PL é o partido de Jair Bolsonaro, hoje presidiário da Papudinha, e também do seu filho Flavio Bolsonaro, que deve ser o principal adversário de Lula na eleição presidencial deste ano.

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