Após 24 horas de trancamento dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória–Minas, em Tumiritinga (MG), organizado por cerca de 700 mulheres do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde a madrugada de segunda-feira (9), a mineradora Samarco assegurou que irá iniciar o processo de reflorestamento de 2 mil hectares de assentamentos da reforma agrária atingidos pelo crime da empresa na região da bacia do Rio Doce.
A mobilização, que encerrou nesta quarta-feira (10) após o anúncio das conquistas, denunciava a falta de reparação integral, após mais de 10 anos, aos danos gerados pelo rompimento da barragem de Fundão, que aconteceu em Mariana, em novembro de 2015. O episódio ficou conhecido como o maior desastre socioambiental da história do Brasil e, mesmo assim, as empresas Samarco, Vale e BHP, responsáveis pela estrutura que cedeu, não foram responsabilizadas.
Ao todo, mais de 30 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram despejados na bacia e a lama percorreu cerca de 600 quilômetros, atingindo os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, devastando comunidades, contaminando nascentes e destruindo modos de vida. O MST chama a atenção para o fato de que a necessidade de restauração ambiental é de pelo menos 5,7 mil hectares.


