4º Encontro Nacional da Rede de Comunicação da CTB começa com debates sobre conjuntura política e desafios da comunicação sindical

Evento reúne comunicadores e dirigentes sindicais de todo o país para discutir disputa de narrativas, comunicação popular e mobilização da classe trabalhadora

Nesta quinta-feira (12), foi realizado o primeiro dia do 4º Encontro Nacional da Rede CTB, que reuniu comunicadores e dirigentes sindicais de diversas regiões do país no Sindicato dos Oficiais Marceneiros do Estado de São Paulo, com uma programação dedicada à análise da conjuntura política e aos desafios da comunicação no movimento sindical.

A atividade começou pela manhã com o painel “Análise de conjuntura e disputa de narrativas”, seguido do debate “Conjuntura política, sindical e comunicação”, que contou com a participação de Altamiro Borges, Nivaldo Santana, Benigno Perez e Adilson Araújo. O encontro também abriu espaço para o compartilhamento de experiências de comunicação popular e sindical com Alex Sarat, Esdras Gomes e Odinei Milkievicz.

Na abertura do evento, o presidente da CTB, Adilson Araújo, destacou a importância do encontro para fortalecer a organização política e a comunicação do movimento sindical. Ele ressaltou que o ano será marcado por diversas atividades da central, como encontros nacionais de setores e debates políticos em meio ao cenário eleitoral.

“Quero saudar os companheiros e companheiras presentes nesta atividade e destacar o esforço que é participar de um espaço como este. Estamos vivendo um ano de grandes desafios políticos e sindicais, e a comunicação tem papel fundamental nessa batalha”, afirmou.

Adilson Araújo também chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre temas sociais urgentes, como a violência contra as mulheres. Segundo ele, o movimento sindical deve contribuir para o enfrentamento do feminicídio e para a construção de um pacto social mais amplo.

Conjuntura internacional e disputa de narrativas

Durante o debate sobre conjuntura internacional, Benigno Perez, cônsul de Cuba no Brasil, fez um forte discurso em defesa da soberania do país caribenho e denunciou o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.

Segundo ele, Cuba enfrenta atualmente um dos períodos mais difíceis das últimas décadas, com sanções que dificultam o acesso a petróleo e outros recursos essenciais. “Estão estrangulando o nosso povo. Nenhum país pode funcionar sem petróleo. Precisamos que os comunicadores ajudem a transmitir ao povo brasileiro essa realidade”, afirmou.

Na mesma mesa, o jornalista Altamiro Borges analisou o cenário político mundial e apontou o avanço da extrema direita como um dos principais desafios da atualidade.

Para ele, o mundo vive um momento de grande tensão internacional, marcado pela crise do capitalismo e pela disputa geopolítica entre grandes potências. “Estamos vivendo uma situação mundial muito dramática, com risco de conflitos cada vez mais amplos. Ao mesmo tempo, existe resistência em vários países, e é nessa resistência que precisamos apostar”, disse.

Miro também destacou o papel da comunicação na chamada “guerra de narrativas”, defendendo maior presença do movimento sindical no debate público.

Movimento sindical e cenário político brasileiro

O secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB, Nivaldo Santana, afirmou que a crise do capitalismo e as mudanças na ordem mundial criam um ambiente propício para o crescimento da extrema direita em diversos países.

Segundo ele, o cenário global também influencia diretamente a política brasileira e exige maior organização dos trabalhadores.

“Estamos vivendo um período histórico de transição para uma nova ordem mundial. Nesse contexto, o movimento sindical precisa colocar no centro da agenda a luta pela paz, pela soberania das nações e pela valorização do trabalho”, afirmou.

Experiências de comunicação sindical

O encontro também apresentou iniciativas de comunicação popular desenvolvidas por sindicatos e entidades ligadas à CTB.

Entre elas está a TV Pão com Ovo, idealizada por Alex Sarat, vice-presidente do CPERS e secretário de Comunicação da CTB-RS. O projeto começou durante a pandemia e hoje reúne uma rede com mais de 30 canais que retransmitem conteúdos voltados ao debate político e à realidade da classe trabalhadora.

“Começamos sem muita estrutura, mas percebemos que havia interesse do público. A comunicação é uma ferramenta fundamental para dialogar com o mundo do trabalho”, explicou Sarat.

Outra experiência apresentada foi a Rádio do Trabalhador, iniciativa do Sindicato dos Metalúrgicos de Chapecó e região. Segundo o presidente da entidade, Odinei Milkievicz, o projeto alcançou cerca de 180 mil acessos no último ano.

 

Para ele, investir em comunicação é essencial para fortalecer a relação entre sindicatos e trabalhadores. “Se o sindicato não investir em comunicação, não acontece. Comunicação não é gasto, é investimento”, afirmou.

Comunicação e mobilização sindical

A programação da tarde foi dedicada ao debate “Comunicação na organização e mobilização sindical”, com participação de Márcio Ayer, Cláudia Santiago, Renata Mieli e Bergamini.

Durante sua intervenção, Márcio Ayer destacou a importância das redes sociais na disputa política e na organização da classe trabalhadora. Segundo ele, ferramentas como WhatsApp, Instagram e Facebook se tornaram centrais para o acesso à informação.

Ele também defendeu que sindicatos invistam em profissionais de comunicação e em estratégias digitais para ampliar o diálogo com a base. “Hoje, a pressão das redes sociais influencia inclusive o comportamento dos parlamentares. Quando vem a avalanche de críticas nas redes, ela chega também nas urnas”, afirmou.

Já a pesquisadora Cláudia Santiago chamou atenção para o desafio de romper a bolha da comunicação progressista e alcançar a maioria da população trabalhadora.

Segundo ela, muitos conteúdos produzidos por veículos independentes acabam circulando apenas entre militantes e dirigentes. “Nós conhecemos esses meios, mas grande parte da classe trabalhadora não conhece. O desafio é justamente furar essa bolha e disputar espaço com a mídia hegemônica”, disse.

Pra finalizar, Bergamini criticou a prática da pejotização de jornalistas, destacando que o problema se torna ainda mais grave quando ocorre dentro de sindicatos ou entidades que deveriam defender os direitos trabalhistas da categoria.

Bergamini apontou que a pejotização — quando o profissional é contratado como Pessoa Jurídica (PJ) para evitar vínculo empregatício — precariza as relações de trabalho, retira direitos como férias, 13º salário, FGTS e proteção previdenciária.

Além disso, tivemos uma oficina sobre inteligência artificial com Carlos Seabra, que abordou o uso das ferramentas de IA e como elas podem ser úteis para o trabalho e a comunicação nos sindicatos.

cO 4º Encontro Nacional da Rede CTB segue com programação nos próximos dias, reunindo comunicadores sindicais e populares de todo o país para debater estratégias de comunicação, mobilização social e fortalecimento do movimento sindical.

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