O que está por trás dos ataques ao Irã… Bora falar a verdade?

Por: Elton de Aquino Arruda (Diretor de Formação na CTB – PI, Diretor Adjunto de Formação no SINTE – PI, Professor de Geografia na Educação Básica do Piauí e Mestrando em Filosofia pelo IF Sertão PE). 

Aponta a propaganda persistente e massiva estabelecida pela grande mídia, alinhada aos interesses americanos e de seu sócio Israel, que os interesses que motivam os ataques ao Irã estão diretamente relacionados à antipatia por parte de Israel e dos americanos ao modo de vida iraniano. Falam que é necessário separar o estado da religião, que o regime dos Líderes Supremos é autoritário, violento, tem bomba nuclear, que o país não tem democracia e ninguém tem liberdade. Portanto, o Irã passa a ser visto como o pior lugar do mundo. Também se fala que o mesmo faz aliança com os grupos que são contra Israel e os Estados Unidos na região inteira. 

Como costumamos falar no Brasil, se trata de “conversa para boi dormir”. Vamos explicar melhor no decorrer das próximas linhas. 

Para a leitora e o leitor melhor se situarem geograficamente, vale lembrar que o Estreito de Ormuz dá acesso para Arábia Saudita que tem o maior território entre os países da região do golfo que escoa pelo Estreito. O Iraque que tem a fronteira ao Norte, Bahrem, o  Catar que tem gás e petróleo como fundamento da economia, Emirados Árabes, e Omã que controla o sul do Estreito. 

Os dados correntes afirmam que de 20% a 30% do petróleo consumido no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. 25% do Comércio global, 15% do Comércio mundial de grãos, 25% dos fertilizantes do mundo, 35% dos químicos e plásticos e 15% dos grãos também passam por lá. 

Agora observem, se tomarmos somente o Brasil como exemplo para seguir ilustrando o tamanho da importância do Estreito de Ormuz apontamos os seguintes dados relativos aos produtos que exportamos e precisam passar por lá: de 20% a 23% do Milho brasileiro (importante dizer que 70% produzido é para o mercado interno portanto a maior parte do que se exporta) é vendido para  o Irã; a proteína brasileira – tomando apenas como exemplo frango e boi – perfazem cerca de 25% a 50% e 10% a 15% respectivamente que precisam passar pelo Estreito.  É importante também pensar nos detalhes, por exemplo: dos 17 milhões de contêineres que transportam coisas pelos mares no mundo,  o Brasil não produz quase nada e o que produz é de péssima qualidade. Portanto, no momento que uma crise afeta a logística do mercado mundial pois congela, paralisa, desacelera o fluxo desses equipamentos, prejudica a atividade portuária do Brasil. 

Sigamos? Outro elemento, agora central, sobre a crise no Estreito e também determinante dos ataques norte-americanos e israelenses ao Irã é a economia chinesa Vejam somente mais dois dados: de 38% a 48% do petróleo que a China usa tem que passar pelo Estreito; e 500 tipos de produtos petroquímicos passam por lá para alimentar a indústria chinesa. 

Os dados apresentados, mesmo poucos, já são suficientes para mostrar a seguinte questão: o que está por trás dos ataques ao Irã e da tentativa de destituir o seu governo, desestabilizar o regime e assumir o controle do país? É  também o Controle do Estreito de Ormuz!  

O controle dessa passagem resulta em poder sobre parte significativa do fluxo de mercadorias global para influenciar as economias com muito mais impacto do que as taxações frustradas de Trump. E, arrisco, permite atacar a economia chinesa, que tem sido alvo dos americanos a alguns anos. Uma ilustração: Imagine somar o controle do petróleo da Venezuela (hoje já dizem que é a maior reserva do mundo) e do petróleo iraniano  ao controle do fluxo de petróleo e derivados que passam pelo Estreito de Ormuz… 

Não resta dúvida: a violência beligerante na região e, em especial contra o Irã, visa determinar os rumos das economias de vários países e impor um garrote para a influência chinesa que é crescente pelo mundo inteiro.  

ATENÇÃO: Antes do Império cair, vai espernear bastante! 

 

 

 

 

 

 

 

 

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