Profissionais passaram a ser ameaçados após Michelle Bolsonaro publicar vídeo os acusando de estarem “desejando a morte” do marido. Fenaj e sindicato pedem providências
Em mais um ataque aos profissionais de imprensa por parte da extrema direita, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro postou um vídeo com falsas informações sobre a cobertura jornalística da internação de Jair Bolsonaro (PL), o que incitou ameaças contra jornalistas. Alguns deles registraram boletim de ocorrência e entidades da área manifestaram repúdio e pediram providências ao poder público.
Tudo começou quando Michelle postou em suas redes sociais, na sexta-feira (13), vídeo feito por uma influenciadora bolsonarista no qual ela acusa jornalistas que acompanham a internação do lado de fora do hospital DF Star, em Brasília, de estarem “desejando a morte de Bolsonaro”.
O vídeo fez com que repórteres passassem a ser hostilizados e ameaçados nas ruas e nas redes sociais. Outro vídeo feito com IA sugeria, inclusive, que uma jornalista fosse esfaqueada.
Em nota divulgada neste domingo (15), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou as “ameaças, a difamação e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares”.
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Também destacou que a disseminação do conteúdo foi amplificada “por parlamentares da extrema direita e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o compartilharam sem qualquer verificação, disseminando mentiras e expondo profissionais de imprensa que estavam simplesmente exercendo seu trabalho”.
Além disso, salientou que a partir dessa campanha de desinformação, “jornalistas que apareciam nas imagens passaram a ser identificados e atacados nas redes sociais” e acrescentou que “as agressões não ficaram restritas ao ambiente digital: duas repórteres foram reconhecidas na rua e no transporte público e sofreram ataques presenciais”.
O comunicado ainda relata que foram produzidas “montagens e feitos vídeos com uso de inteligência artificial, inclusive simulando que uma das profissionais é esfaqueada. Além disso, fotos de filhos e familiares dos jornalistas estão sendo usadas como instrumento de intimidação e assédio”.
Já a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal cobraram proteção aos trabalhadores e pediram punição aos envolvidos.
“Lembramos que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico”, destacaram as entidades, em nota, antecipando que irão pedir reforço da Polícia Militar na frente do hospital para impedir “cerceamento e agressões” ao trabalho da imprensa “por parte de militantes”.
As duas entidades também ressaltaram ser fundamental “a apuração rigorosa das ameaças para que episódios como esse não se repitam. Pedimos às autoridades policiais e ao Ministério Público que identifiquem e punam os autores das ameaças virtuais e os responsáveis pela exposição indevida de dados dos profissionais”, cobraram a Fenaj e o sindicato”.
Desde a sexta (13), Bolsonaro está internado na UTI do hospital DF Star, tratando de uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Boletim médico divulgado neste domingo (15) diz que o paciente “evoluiu com estabilidade clínica e melhora da função renal, porém com nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue”.
Informações: vermelho.


