Mobilizar contra o terrorismo patronal e pelo fim da desumana escala 6×1

Por Adilson Araújo, presidente da CTB

De acordo com recente pesquisa do Datafolha, divulgada domingo (15), 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, índice que representa significativo crescimento em relação ao levantamento anterior realizado pelo mesmo instituto, quando 64% eram favoráveis e 33% se posicionavam contra.

Mulher trabalhadora
O percentual dos que apoiam o fim da extenuante escala sobe a 82% entre os mais jovens, de 16 a 40 anos, o que reflete o profundo anseio de dezenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras extenuados pela escala exaustiva que permite apenas um dia de descanso por semana.
Estatísticas do IBGE indicam que 33 milhões de assalariados e assalariadas brasileiras desfrutam apenas um dia de descanso por semana, sendo que a mulher trabalhadora é quem mais sofre com isso, pois no mais das vezes é constrangida a realizar uma dupla jornada de trabalho para dar conta das tarefas e cuidados domésticos.

Por isto, a luta por pelo menos dois dias de descanso remunerado por semana foi uma das principais bandeiras do 8 de Março (Dia Internacional da Mulher), ao lado da denúncia e condenação do feminicídio.

Lobby empresarial
A reivindicação vem também em resposta ao formidável avanço da produtividade do trabalho. Cumpre observar que embora contando com o apoio de uma esmagadora maioria da população brasileira, a proposta esbarra, de outro lado, numa feroz oposição dos donos do capital.

Na medida em que o tema extrapolou as fronteiras das redes sociais e teve ingresso no Congresso Nacional, o empresariado colocou em campo um poderoso lobby envolvendo a mídia burguesa e líderes políticos da extrema direita, um dos quais chegou a sugerir que pobre não deveria ter direito a descanso porque não saberia o que fazer com o tempo livre.

Federações empresariais, com amplo respaldo dos meios de comunicação tradicionais, alardeiam previsões catastrofistas indicando queda do PIB e aumento do desemprego, na contramão do que sugerem a experiência histórica e inúmeros estudos realizados por economistas e institutos de pesquisas, como o IPEA e o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, que promoveu um estudo indicando que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.

Tendência mundial
As divergências ideológicas que emergem no debate sobre o fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho sem redução de salários, opondo capital e trabalho, não são novidades na história e refletem o choque de interesses entre as duas classes antagônicas que fundamentam a existência do capitalismo: assalariados de um lado e capitalistas do outro.

Neste embate, a razão histórica está com a classe trabalhadora, cujos interesses estão em harmonia com as necessidades de desenvolvimento da sociedade. O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho propiciarão não só uma elevação do nível de emprego como também a redução do estresse e o aumento da produtividade do trabalho e, por extensão, da competitividade nacional.
Como já ressaltou o vice-presidente Geraldo Alckmin, a redução da jornada de trabalho é hoje uma tendência mundial, uma tendência histórica objetiva e progressista que a mobilização social, respaldada pelo governo Lula, pode tornar irresistível.

Os interesses do capital estão na contramão da história. Sempre em aliança com as outras centrais, os movimentos sociais e as forças progressistas, a CTB não vai poupar esforços para derrotar o terrorismo psicológico do lobby empresarial e conquistar o fim da desumana escala 6×1.

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