Debates abordaram piso salarial, carreira, saúde, direitos das mulheres e desafios do PNE
Encerrando nesta sexta-feira (27), o Encontro Nacional de Educação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) reuniu dirigentes sindicais de todo o país para aprofundar o debate sobre a valorização dos profissionais da educação, com destaque para temas como precatórios, piso salarial, carreira, saúde e financiamento da educação pública.
Na continuidade das atividades, os participantes discutiram a luta pelos precatórios do Fundef, a defesa do piso nacional do magistério e a necessidade de fortalecimento da carreira docente. O financiamento da educação também esteve no centro dos debates, com destaque para o papel do Fundeb e das políticas implementadas nos últimos anos.
O professor Anízio Melo resgatou a trajetória de conquistas que garantiram recursos importantes para a educação, como a aprovação da PEC 114/21, que assegurou R$ 150 bilhões para estados do Norte e Nordeste, e a ampliação do fundo com a PEC 15/15. Ele também destacou as políticas dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que criaram novas fontes de financiamento, como recursos do pré-sal e royalties do petróleo.
Ao tratar do Plano Nacional de Educação (PNE), a economista Ana Georgina Dias destacou que a meta de equiparação salarial dos professores com outros profissionais de mesma escolaridade segue como um dos principais desafios. Segundo ela, é fundamental enfrentar narrativas que colocam o piso como ameaça ao equilíbrio fiscal.
A dirigente ressaltou ainda a importância da Lei 11.738/2008, fruto da mobilização das entidades sindicais, e explicou o papel do Fundeb como principal mecanismo de financiamento da educação básica no país, abrangendo todas as etapas e modalidades de ensino.
Saúde e condições de trabalho preocupam
A saúde dos trabalhadores da educação foi outro tema central do encontro. O dirigente da CTB Nacional, Raimundo Oliveira, e o representante da CNTE, Alessandro Carvalho, alertaram para o alto índice de adoecimento na categoria.
Dados apresentados indicam níveis preocupantes de esgotamento emocional, estresse extremo e casos de burnout entre os profissionais da educação, reflexo de sobrecarga de trabalho, jornadas extensas e falta de valorização.
“Quando o educador adoece, a educação adoece”, destacou Raimundo Oliveira, ao defender a implementação de políticas públicas voltadas à saúde mental e às condições de trabalho da categoria.
Luta das mulheres também ganha destaque
A dirigente da CTB, Celina Arêas, abordou a pauta das mulheres trabalhadoras, ressaltando conquistas históricas e a necessidade de avançar na garantia de direitos, especialmente em uma categoria majoritariamente feminina, como a educação.
Fortalecimento da luta e próximos desafios
O último dia do encontro consolidou a importância da organização sindical e da mobilização da categoria para garantir avanços na educação pública. As discussões reforçaram a necessidade de ampliar investimentos, valorizar os profissionais e enfrentar os desafios estruturais do setor.
Ao encerrar as atividades, a CTB reafirmou seu compromisso com a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, destacando que a valorização dos trabalhadores da educação é elemento central para o desenvolvimento do país e a construção de uma sociedade mais justa.


