Movimentos populares, sindicais, negros e estudantis de todo o país se reuniram nesta terça-feira (31), no Sambódromo do Anhembi, na zona norte da capital paulista, para o Ato Nacional em Defesa das Políticas de Cotas Raciais e das Ações Afirmativas. A mobilização contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Educação, Camilo Santana, além de diversas organizações, entre elas a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), que marcou presença reafirmando seu compromisso com a pauta.
O ato teve como eixo central a defesa da ampliação das cotas raciais no ensino superior e a aprovação da chamada PEC da Reparação, além da reivindicação por melhores condições de permanência estudantil, como acesso à moradia e alimentação nas universidades.
Para o presidente da CTB-SP, Rene Vicente, a mobilização representa um marco na luta por justiça social. “O ato nacional realizado hoje em São Paulo, no Anhembi, em defesa das cotas raciais e da PEC da Reparação, é um importante compromisso de afirmação do governo Lula com as políticas de democracia que ampliam a participação da população mais pobre em todas as instâncias sociais. É importante reafirmarmos essas políticas reparativas como instrumento de democratização e de suporte para a melhora de vida da população de uma maneira em geral. E a CTB esteve presente reafirmando seu compromisso em defesa das cotas e da reparação social”, destacou.
A atividade reuniu representantes de movimentos educacionais de todas as regiões do país. Estudantes e lideranças ressaltaram a importância das políticas afirmativas para garantir o acesso e a permanência de jovens negros, indígenas e de baixa renda nas universidades. Também foram levantadas preocupações com o avanço da privatização do ensino superior, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Os números apresentados durante o evento reforçam o impacto das políticas públicas na educação. Segundo dados do Ministério da Educação, quase 95 mil estudantes cotistas ingressaram no ensino superior entre 2024 e 2026. Em 14 anos, cerca de 2 milhões de estudantes acessaram universidades por meio de ações afirmativas, considerando programas como Sisu, Prouni e Fies.
Apesar dos avanços, lideranças presentes alertaram para a persistência das desigualdades raciais no ensino superior. Estudos recentes apontam que a proporção de pessoas negras com diploma ainda é significativamente inferior à da população branca, evidenciando a necessidade de ampliar e fortalecer as políticas de inclusão.
A participação da CTB no ato reforça o papel do movimento sindical na luta por igualdade de oportunidades e justiça social, alinhando-se às demandas históricas do movimento negro e estudantil por uma educação pública mais democrática e inclusiva.






