Adilson Araújo, presidente da CTB
Brasília será palco de uma vigorosa Marcha da Classe Trabalhadora na próxima quarta-feira, 15 de abril.
Convocada unitariamente pelas centrais sindicais (CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Intersindical e Pública), a manifestação vai percorrer a Esplanada dos Ministérios e culminar com a entrega da “Pauta da Classe Trabalhadora – Prioridades 2026” ao presidente Lula no Palácio do Planalto.
Entre as bandeiras da marcha, destacam-se o fim da escala 6×1 com redução da jornada de trabalho sem redução de salários; combate à pejotização; combate ao feminicídio; não à guerra, pela paz; direito de negociação coletiva para os servidores públicos; fortalecimento das negociações coletivas e valorização dos assalariados rurais.
Defesa da soberania
São reivindicações que expressam profundos anseios da classe trabalhadora brasileira e também dos povos do mundo, que lutam pela paz, contra as guerras deflagradas pelo imperialismo e em defesa do direito dos povos e nações à autodeterminação. Isso ficou evidente nos protestos que reuniram milhões de pessoas contra o governo Trump nos EUA.
A luta contra o imperialismo, em defesa da soberania nacional, é central em nossa época e está interligada ao embate político e ideológico contra a extrema direita e o clã Bolsonaro. Este conspira descaradamente contra o Brasil em Washington e sequer disfarça a intenção de entregar nossas riquezas minerais estratégicas (caso das terras raras) aos EUA, comportando-se como baba-ovo do imperialismo.
Bem-estar social
A pauta da classe trabalhadora exterioriza uma agenda de luta em prol do bem-estar do povo e dos interesses maiores da nação, que coincidem com as demandas e os movimentos da classe trabalhadora, mas colide com a vocação reacionária da fração dominante das classes dominantes, subalternas ao imperialismo e inimigas da soberania, da democracia e, sobretudo, dos direitos sociais.
Esta contradição transparece com muita nitidez no debate e nas pelejas sobre o fim da escala 6×1 com redução da jornada de trabalho sem redução de salários para 40 horas semanais. Confederações empresariais como a CNI, da indústria, e CNC, do comércio, estão promovendo um forte lobby no Congresso Nacional e nos meios de comunicação contra os projetos que contemplam a bandeira histórica da classe trabalhadora.
O lobby do capital
Com previsões catastrofistas, que não têm fundamento na ciência e muito menos na experiência histórica, os donos do capital e das grandes empresas querem interditar o debate e evitar a apreciação e votação do tema no Parlamento. São empresários que não enxergam um palmo além do nariz.
No Brasil, temos uma classe trabalhadora doente, esgotada pelas jornadas de trabalho extenuantes a que é submetida. Nada menos que 70% relatam casos de estresse no ambiente de trabalho e um terço sofre com a síndrome de Burnout. Esta é a principal razão para a baixa produtividade do trabalho no Brasil.
Desenvolvimento nacional
Conforme estimam muitos especialistas e sugere a experiência internacional, a redução da jornada de trabalho eleva a produtividade do trabalho e, por consequência, a competitividade das nações, ao aumentar o bem-estar social e reduzir o estresse, bem como outras doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho. Favorece o desenvolvimento nacional.
Os argumentos patronais contra o fim da desumana escala 6×1, que sacrifica sobretudo as mulheres trabalhadoras, são falaciosos, mas a força dos donos do capital no Congresso Nacional não deve ser subestimada.
Transformar este anseio de dezenas de milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros em lei vai demandar muita mobilização. A Marcha da Classe Trabalhadora na próxima quarta-feira, no Distrito Federal, será uma contribuição de grande relevância para alcançar este objetivo.


