CTB critica narrativa sobre os Correios e alerta para impactos da privatização no país

Foto: Agência Brasil.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil questiona a abordagem apresentada pelo Jornal Nacional nesta terça-feira (07), sobre a situação dos Correios e aponta que tratar a privatização como solução ignora dados, contexto e o papel estratégico da empresa no Brasil.

Para a CTB, a forma como o tema foi apresentado reforça uma narrativa que desconsidera a realidade do serviço postal no país. Hoje, os Correios possuem uma das maiores presenças territoriais do Brasil e garantem atendimento em todos os municípios, inclusive nos mais distantes, onde nenhuma empresa privada teria interesse em atuar.

Quase mil cidades brasileiras não contam com agência bancária, sendo os Correios, em muitos casos, o único ponto de acesso da população a serviços públicos. Além disso, a empresa assegura políticas essenciais: viabiliza atendimento a aposentados do INSS, realiza entregas de fraldas, leite, livros didáticos, mantimentos e responde pela logística de urnas eletrônicas em regiões de difícil acesso, inclusive por transporte fluvial.

A central sindical também destaca que o serviço postal é uma obrigação legal da União e integra a política de universalização, que garante atendimento em todo o território nacional, com tarifas acessíveis e sem discriminação geográfica. Nesse modelo, o fato de muitas agências operarem com déficit não indica ineficiência, mas sim o cumprimento de uma função pública.

Nesse sentido, propostas como o fechamento de unidades consideradas deficitárias representam, segundo a avaliação das organizações de trabalhadores, consequências diretas para a população:

  1. abandono de milhões de brasileiros em regiões isoladas;
  2. ruptura da política de universalização prevista em lei;
  3. aumento das desigualdades regionais;
  4. comprometimento de serviços públicos essenciais;
  5. avanço da privatização como único caminho possível.

A CTB também chama atenção para o histórico econômico da estatal. Entre 2000 e 2025, os Correios registram lucro em 18 dos 27 anos, com mais de R$ 13 bilhões repassados à União. As dificuldades recentes, segundo as organizações da categoria, estão ligadas a fatores como mudanças no mercado de e-commerce, concorrência internacional, alterações regulatórias e falta de investimentos ao longo dos anos,  pontos que não são considerados na matéria.

Outro aspecto levantado é que os Correios continuam assumindo funções que vão além da lógica de mercado. A empresa participa da logística de grandes operações nacionais, como distribuição de livros didáticos, aplicação de provas, envio de donativos e atendimento à população em situações emergenciais, além de manter presença física do Estado em milhares de municípios.

A CTB avalia ainda que esse tipo de matéria contribui para reduzir a importância da maior empresa de correios da América Latina, que passa por um processo de pressão por privatização nos últimos anos, intensificado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A retirada da empresa da lista de privatizações ocorre em 2023, por decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mesmo assim, a CTB, junto a sindicatos filiados e federações como a FINDECT, mantém a cobrança por investimentos, valorização dos trabalhadores, melhoria da infraestrutura e garantia de que qualquer reestruturação não resulte em precarização das condições de trabalho nem na redução do papel público da empresa.

No Dia Nacional dos Correios, celebrado nesta data, a central reforça que a estatal é um patrimônio estratégico do país e que seu fortalecimento passa por investimento público, gestão eficiente e compromisso com a população brasileira.

 

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