Em um dia considerado histórico para a classe trabalhadora brasileira, o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Adilson Araújo, esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de representantes das demais centrais sindicais no Palácio do Planalto, durante a entrega da Pauta da Classe Trabalhadora realizada nesta quarta-feira (15). A reunião foi realizada após a Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, que reuniu mais de 20 mil pessoas.
A participação da CTB no encontro reforça o papel da central na articulação das demandas dos trabalhadores e na construção de políticas públicas voltadas à geração de emprego, ampliação de direitos e melhoria das condições de vida no país. Para Adilson, o momento simboliza o fortalecimento da unidade sindical e a retomada do diálogo institucional com o governo federal.
O ato também foi marcado pelo avanço de propostas importantes para o mundo do trabalho. Entre elas, o envio ao Congresso Nacional de um projeto que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem redução de salários — uma reivindicação histórica do movimento sindical.
Além disso, o presidente Lula assinou a proposta de regulamentação das relações de trabalho no serviço público, assegurando o direito à negociação coletiva para servidores e empregados públicos. O texto regulamenta a Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), considerada uma conquista inédita para a democratização das relações de trabalho no setor público brasileiro.
A medida estabelece mecanismos como mesas de negociação, mediação e autocomposição de conflitos, além de garantir o direito à ორგანიზação sindical e à licença remunerada para exercício de mandato sindical. A proposta é resultado de um amplo processo de construção coletiva, que envolveu centrais sindicais — incluindo a CTB — e diferentes órgãos do governo federal, consolidando compromissos assumidos ainda no período de transição governamental.
Durante a cerimônia, Lula destacou a importância da mobilização das centrais para garantir a aprovação das propostas no Congresso.
“O PL é soma de uma luta secular”, afirma Adilson
Adilson Araújo reforçou que os avanços são fruto da luta organizada dos trabalhadores e que a mobilização continuará. “O momento é histórico, mas a luta não terminou. Está só começando”, disse. O presidente da CTB celebrou o envio da proposta ao Congresso e destacou que o avanço é resultado da luta histórica da classe trabalhadora.
“Considero também que o PL não é o PL do Lula. É a soma de uma luta secular, mas que nesse período mais recente atravessou a luta institucional”, afirmou.
O dirigente ressaltou ainda o impacto positivo que a medida pode gerar na economia e na vida da população. Segundo ele, estudos apontam que o fim da escala 6×1 pode criar até 4 milhões de empregos no país. “Isso importa muito a vida das pessoas”, reforçou.
Em tom propositivo, Adilson defendeu a construção de um pacto entre produção e trabalho, com foco na elevação da taxa de investimento no Brasil — atualmente em cerca de 16,8% do PIB, abaixo de patamares registrados em outros países.
“Nós precisamos ganhar mais. O PIB precisa aumentar no patamar de 2010”, disse.
Adilson também apontou caminhos estratégicos para o desenvolvimento nacional, como o investimento em energia limpa, a neoindustrialização, maior inserção do Brasil na cadeia global de valor e a exploração sustentável de regiões como a Margem Equatorial e a Amazônia Azul.
“Vamos brigar por um projeto nacional de desenvolvimento que tenha o fim da escala 6 por 1, mas que tenha juros moderados pra gente enfrentar essas grandes batalhas”, concluiu.
Com protagonismo da CTB e forte articulação política, a classe trabalhadora avança em sua pauta — e mantém a mobilização ativa em defesa de mais direitos e justiça social.


