O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Adilson Araújo, foi destaque na cobertura internacional sobre o debate da redução da jornada de trabalho no Brasil durante a Marcha da Classe Trabalhadora realizada nesta quarta-feira (15), em Brasília. Em reportagem do portal mexicano Diario Red, o dirigente defendeu o fim da escala 6×1 como medida fundamental para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora.
“Para a classe trabalhadora brasileira, o fim da exaustiva jornada 6×1 é fundamental para garantir mais tempo livre”, afirmou Araújo em entrevista ao veículo. Segundo ele, a mudança também contribui para “reduzir a insegurança laboral, melhorar o ambiente de trabalho, a vida familiar, a atenção aos estudos e o desenvolvimento profissional”, além de favorecer uma divisão mais justa das tarefas domésticas, promovendo a igualdade de gênero.
A reportagem destaca ainda estudos que reforçam os impactos positivos da redução da jornada. De acordo com um levantamento de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a adoção de uma jornada de 36 horas semanais poderia beneficiar cerca de 76 milhões de trabalhadores e gerar até 4,5 milhões de empregos. Mesmo em um cenário mais moderado, com 40 horas semanais, o alcance seria de 45 milhões de pessoas.
O debate também envolve divergências entre trabalhadores e setor empresarial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras entidades empresariais alegam que a redução da jornada poderia elevar custos e impactar negativamente a economia. No entanto, estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o impacto para grandes empresas seria inferior a 1%, com efeitos limitados inclusive no setor varejista.
Outro ponto ressaltado na matéria é o custo social do atual modelo de trabalho. Para Víctor Pagani, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), as empresas ignoram os impactos das longas jornadas sobre a saúde dos trabalhadores. Segundo ele, há um crescimento preocupante de doenças e afastamentos relacionados a transtornos mentais, como ansiedade, depressão e esgotamento.
Dados citados apontam que, apenas em 2025, mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária foram concedidos por problemas de saúde mental, evidenciando o peso das condições de trabalho sobre a vida dos trabalhadores.
Ao rebater argumentos sobre possível queda de produtividade, Adilson Araújo destacou que jornadas mais equilibradas tendem a gerar melhores resultados. “A história demonstra que um trabalho saudável tem melhores resultados em termos de produtividade, com trabalhadores mais concentrados, eficientes e menos estressados”, afirmou.
A repercussão internacional do tema reforça a centralidade do debate sobre a redução da jornada no Brasil, colocando o fim da escala 6×1 como uma das principais pautas da classe trabalhadora na atualidade.


