28 de Abril: memória, luta e denúncia — a vida do trabalhador não pode ser descartável

Foto: istock.

O Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, celebrado em 28 de abril, é mais do que uma data simbólica: é um grito de denúncia contra a negligência, a exploração e a naturalização da morte no ambiente de trabalho. Oficializada em 2003 pela Organização Internacional do Trabalho e reconhecida no Brasil pela Lei nº 11.121/2005, a data integra as mobilizações do chamado Abril Verde, que reforça a urgência da prevenção e da valorização da vida.

A origem remonta a 1969, quando uma explosão em uma mina na Virgínia, nos Estados Unidos, matou 78 trabalhadores. Décadas depois, a realidade ainda é alarmante: milhões de pessoas continuam adoecendo ou perdendo a vida todos os anos em decorrência do trabalho. Segundo estimativas da OIT, cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho ocorrem anualmente no mundo — números que escancaram uma lógica perversa em que o lucro frequentemente se sobrepõe à dignidade humana.

No Brasil, esse cenário também é preocupante. O país segue registrando altos índices de acidentes e doenças ocupacionais, muitos deles evitáveis. A falta de fiscalização, o descumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs) e a precarização das relações de trabalho contribuem para transformar locais de trabalho em ambientes de risco constante.

Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, o 28 de abril deve ser encarado como um dia de mobilização e consciência de classe. Não se trata apenas de homenagear as vítimas, mas de denunciar um modelo que adoece e mata trabalhadores diariamente. A vida do trabalhador não pode ser tratada como custo operacional.

A campanha Abril Verde reforça que prevenir é não só possível, mas essencial. Investir em segurança, garantir condições dignas e respeitar direitos trabalhistas não são favores — são obrigações. Ainda assim, o que se vê é o avanço da informalidade, da terceirização sem limites e de jornadas exaustivas, que colocam milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade.

Outra data importante nesse contexto é o 27 de julho, Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, que também reforça a necessidade de políticas públicas e ações permanentes voltadas à proteção da saúde do trabalhador.

Mais do que números, cada acidente representa uma vida interrompida, uma família atingida e um futuro comprometido. Por isso, o 28 de abril deve servir como um chamado à ação: não podemos naturalizar o inaceitável.

Defender a saúde e a segurança no trabalho é defender a vida. E essa luta precisa ser diária, coletiva e inegociável.

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