A explosão ocorrida neste domingo (11), no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, continua causando impactos profundos para dezenas de famílias da região. Segundo atualização divulgada pela Defesa Civil nesta segunda-feira (12), ao menos 46 residências foram interditadas e 78 famílias seguem afetadas pela tragédia. Ainda não há prazo para a liberação da área.
A explosão deixou uma pessoa morta e outras três feridas, além de destruir imóveis e provocar danos estruturais em diversas casas do entorno. A Sabesp informou que uma rede de gás foi atingida durante uma intervenção realizada por equipes da companhia e que a explosão ocorreu enquanto técnicos atuavam no reparo.
Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil de São Paulo (CTB-SP), a tragédia também coloca em debate a política de privatização da Sabesp conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas. A central afirma que o modelo adotado pelo governo estadual prioriza interesses privados e financeiros em detrimento da segurança da população e das condições de trabalho no setor.
O presidente da CTB-SP, Rene Vicente, afirmou que a situação no Jaguaré representa uma grave demonstração de irresponsabilidade operacional.
“Estamos diante de uma tragédia humana que destruiu casas, tirou vidas e deixou dezenas de famílias sem qualquer segurança. A população trabalhadora está pagando a conta de uma política que coloca o lucro acima da vida”, declarou.
Rene Vicente também destacou que os movimentos sindicais e os trabalhadores do setor vêm alertando sobre os impactos da privatização da Sabesp desde o início do processo.
“O governo Tarcísio vendeu para a população a ideia de que a privatização da Sabesp traria eficiência e modernização. O que estamos vendo é precarização, terceirização e redução de segurança operacional. Quando uma empresa pública passa a atender prioritariamente interesses privados e financeiros, quem sofre é a população”, afirmou.
A CTB-SP cobrou investigação rigorosa sobre as causas da explosão, responsabilização dos envolvidos e assistência imediata às famílias atingidas.
“Não basta lamentar depois da tragédia. É preciso garantir transparência na apuração, reparação integral dos danos e respeito às famílias que perderam suas casas e sua tranquilidade”, concluiu Rene Vicente.
Na manhã desta segunda-feira, equipes da Defesa Civil seguem realizando vistorias estruturais nos imóveis atingidos para avaliar os riscos e definir quais residências poderão ser acessadas pelos moradores. Enquanto isso, dezenas de famílias permanecem fora de casa aguardando respostas das autoridades e da concessionária.
A Prefeitura de São Paulo informou que equipes seguem no local auxiliando no cadastramento das vítimas e prestando apoio social às famílias atingidas. Já a Sabesp e a Comgás anunciaram o pagamento de um auxílio emergencial de R$ 2 mil para os moradores afetados pela explosão, além de hospedagem temporária em hotéis e assistência médica e psicológica.


