A greve dos estudantes das universidades estaduais paulistas segue ganhando força em todo o estado. Iniciada há mais de um mês na Universidade de São Paulo (USP), a mobilização já se espalhou pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e por diversos campi da Universidade Estadual Paulista (Unesp), reunindo milhares de estudantes em defesa da permanência estudantil, da ampliação de bolsas, de moradia digna e de mais investimentos para a educação pública.
Na próxima quarta-feira (20), estudantes da capital paulista irão realizar uma marcha até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, para denunciar o processo de precarização das universidades públicas e cobrar respostas do governador Tarcísio de Freitas.
Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), a mobilização expressa a insatisfação da juventude diante do desmonte das políticas de educação e assistência estudantil. “O que vemos nas universidades estaduais é o reflexo de uma política de sucateamento da educação pública promovida pelo governo Tarcísio. Os estudantes estão lutando por condições mínimas de permanência, por moradia, alimentação, bolsas e infraestrutura adequada. A CTB-SP manifesta total solidariedade à greve e entende que defender a universidade pública é defender o futuro do povo brasileiro”, afirmou Rene Vicente, presidente da CTB-SP.
Segundo o dirigente sindical, a crise nas universidades não pode ser tratada como um problema isolado. “Há um projeto de enfraquecimento dos serviços públicos e de retirada de direitos. Quando faltam investimentos nas universidades, toda a sociedade perde: perde a pesquisa, perde a ciência, perde a formação de profissionais e perde o desenvolvimento do país. O governo precisa abrir diálogo e atender as reivindicações legítimas dos estudantes”, destacou Rene Vicente.
Na USP, os estudantes denunciam a falta de diálogo da reitoria após episódios de repressão policial ocorridos durante a desocupação da reitoria no último dia 10, que resultaram em detenções e estudantes feridos. Mesmo após mesas de negociação, o movimento afirma que não houve avanços concretos.
Na Unicamp, cerca de 20 cursos aderiram à paralisação. Entre as principais pautas estão a ampliação da moradia estudantil, reajuste das bolsas de permanência e o combate à terceirização de serviços essenciais, como limpeza e restaurante universitário.
Já na Unesp, a greve avança em campi como Bauru, Marília e no Instituto de Artes, na capital paulista. Os estudantes denunciam a insuficiência dos auxílios estudantis diante do aumento do custo de vida e cobram mais investimentos em infraestrutura e assistência estudantil.
A unificação das mobilizações nas três universidades também pressiona o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o governo estadual por uma revisão do repasse do ICMS destinado às instituições.
Para a CTB-SP, a luta dos estudantes se soma à defesa mais ampla dos serviços públicos e da valorização da educação. “A universidade pública precisa ser acessível para a classe trabalhadora e para a juventude pobre. Não basta abrir vagas se os estudantes não conseguem permanecer estudando. A luta pela permanência estudantil é uma luta por igualdade social e por democracia”, concluiu Rene Vicente.
A expectativa dos movimentos estudantis é que a marcha da próxima quarta-feira amplie a pressão sobre o governo estadual e fortaleça a unidade entre estudantes, trabalhadores da educação e movimentos sociais em defesa das universidades públicas paulistas.


