A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) realizou, na noite desta segunda-feira (1º), a Super Live “Lutar até o Fim pelo Fim da Escala 6×1”, reunindo dirigentes sindicais e especialistas para debater os próximos passos da mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho e da aprovação das propostas que tramitam no Senado Federal.
Participaram da atividade o presidente da CTB, Adilson Araújo; a diretora técnica do Dieese, Adriana Marcolino; o presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer; a presidenta da CTB Bahia, Rosa de Souza; o presidente do Sintrahg-RS, Rodrigo Callais; e o secretário-geral da CTB, Ronaldo Leite.
Durante a abertura, Adilson Araújo destacou que a luta pelo fim da escala 6×1 representa uma das mais importantes batalhas da classe trabalhadora brasileira nas últimas décadas.
“Antecedendo as eleições gerais, esta é, certamente, a principal batalha da classe trabalhadora em mais de um quarto de século. A luta pela redução da jornada de trabalho faz parte de uma luta histórica, secular, e que hoje nos exige maior dinamismo e um pacto efetivo do movimento sindical”, afirmou.
O dirigente ressaltou que a pauta está diretamente relacionada ao combate aos efeitos da reforma trabalhista, à precarização das relações de trabalho e aos altos índices de acidentes laborais registrados no país.
“Chegamos a um momento histórico e marcante. Celebramos uma conquista importante, embora ela represente apenas parte da vitória. A conquista definitiva virá quando alcançarmos nosso objetivo: lutar até o fim pelo fim da escala 6×1”, enfatizou.
Adilson lembrou ainda que diferentes propostas sobre a redução da jornada de trabalho estão em tramitação no Congresso Nacional, entre elas a PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim, o PL 1.005/2023, do senador Weverton Rocha, além da PEC 221/2019 e da PEC 12/2022.
Segundo ele, a nova etapa da luta exigirá o fortalecimento da articulação com movimentos sociais, frentes populares e o conjunto do movimento sindical para ampliar a pressão sobre os parlamentares.
Mobilização nos estados e pressão sobre os senadores
O secretário-geral da CTB, Ronaldo Leite, destacou que a tramitação da pauta no Senado Federal exigirá um esforço ainda maior de organização e mobilização.
“A batalha no Senado Federal será ainda mais complexa do que foi na Câmara dos Deputados. Embora o Senado seja composto por apenas 81 parlamentares, o desafio político exigirá de nós um esforço ainda maior de mobilização. As próximas duas ou, no máximo, três semanas serão decisivas”, afirmou.
Ronaldo informou que a CTB e as demais centrais sindicais iniciarão imediatamente uma agenda de diálogo com os senadores em todos os estados do país.
“Precisamos conversar com todos os 81 senadores. E aqui não há distinção entre senadores de esquerda ou de direita: devemos dialogar com todos, buscando construir convergências em torno dessa pauta”, destacou.
O dirigente explicou que o objetivo é garantir pelo menos 49 votos favoráveis à proposta e que entidades como o Dieese e o Diap já estão contribuindo com estudos e subsídios técnicos para fortalecer a argumentação junto aos parlamentares.
Ele também anunciou a realização de uma nova live nacional das centrais sindicais no próximo dia 8 de junho, que contará com representantes do Diap, do senador Paulo Paim e do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar.
Além disso, Ronaldo convocou os sindicatos a ampliarem a mobilização popular por meio do envio de mensagens aos parlamentares e da divulgação da enquete disponível no portal E-Cidadania do Senado Federal sobre o fim da escala 6×1.
“Será responsabilidade das seções estaduais da CTB, em conjunto com as demais centrais sindicais, estabelecer esse diálogo direto com os parlamentares. Nosso objetivo é construir as condições necessárias para que, ao final de junho ou, no máximo, em julho, possamos celebrar uma grande vitória com a aprovação e promulgação do fim da escala 6×1 no Brasil”, afirmou.
Dieese desmonta argumentos contrários à redução da jornada
A diretora técnica do Dieese, Adriana Marcolino, apresentou dados econômicos e sociais que reforçam a viabilidade da redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
Segundo ela, os setores empresariais e parte da grande mídia têm difundido um discurso alarmista sobre os impactos econômicos da proposta, mas os indicadores demonstram que há condições concretas para avançar na medida.
“Do ponto de vista social e trabalhista, não há dúvidas sobre a importância de reduzir a jornada de trabalho e acabar com a escala 6×1. O que observamos é que a produtividade cresce, os lucros aumentam, mas a participação da renda do trabalho diminui e a riqueza segue cada vez mais concentrada”, explicou.
Adriana destacou que o aumento da produtividade não depende exclusivamente do esforço dos trabalhadores, mas também de investimentos em tecnologia, inovação, infraestrutura e organização do trabalho.
“O que certamente não gera produtividade é simplesmente trabalhar mais horas. Trabalhar mais tempo não significa produzir melhor”, afirmou.
A dirigente apresentou ainda dados sobre a distribuição da riqueza no país. De acordo com ela, entre 2004 e 2016 a participação dos salários no Produto Interno Bruto (PIB) chegou a cerca de 36%, mas caiu para aproximadamente 31% após 2016. Em contrapartida, a parcela apropriada pelo capital cresceu significativamente.
“Há espaço econômico para promover a redução da jornada de trabalho e reorganizar a escala de trabalho de forma mais justa. O modelo predominante hoje amplia lucros por meio da precarização das relações de trabalho. É justamente esse modelo que precisa ser questionado e transformado quando debatemos o fim da escala 6×1”, concluiu.
Luta continua
Ao encerrar a atividade, as lideranças reafirmaram que a aprovação do fim da escala 6×1 dependerá da combinação entre mobilização popular, pressão institucional e unidade das centrais sindicais.
A CTB orienta suas seções estaduais, sindicatos e federações a ampliarem o diálogo com os trabalhadores e a construírem, em conjunto com as demais centrais, agendas de reuniões com os senadores de cada estado, fortalecendo a campanha nacional por uma jornada de trabalho mais humana, justa e compatível com as necessidades da classe trabalhadora brasileira.


