E se a política fosse conduzida com o mesmo compromisso que nós mulheres temos com as nossas casas e famílias?
Você se vê na política? É muito comum que o que venha à mente diante dessa pergunta seja: “Nunca!” ou “isso não é pra mim”. Um dos motivos para que nós, mulheres, deixemos a política de lado é o acúmulo de tarefas e o excesso de responsabilidades.
Esse distanciamento é reforçado desde cedo por uma ideia estruturante da sociedade: a de que política é algo distante e impraticável para mulheres. Uma função “agressiva e complexa”, tarefa de homem, que exige “pulso firme”.
Aliás, aprendemos que tudo precisa ser perfeito, pensado nos mínimos detalhes e executado da melhor maneira possível. Assim, acordamos cedo, aprontamos o café, arrumamos os filhos e, muitas vezes, ainda os levamos para a escola antes de enfrentar uma dura jornada de trabalho. Quando chegamos em casa, o trabalho não termina: ainda tem a louça, a roupa para tirar da máquina, a janta para fazer. E você dá conta. De um jeito ou de outro, você consegue.
Mas será mesmo que tudo isso é menos complexo do que a política?
No lar, é você quem sabe o que está faltando. É você quem entende como funciona o sistema de saúde porque é você quem marca consultas; quem percebe quando faltam professores ou material escolar; quem controla as contas, organiza a rotina e segura as pontas. Também é você quem sente, na pele, que quando se trata da sua saúde, da sua segurança, das suas necessidades no ambiente de trabalho ou da sua busca por independência, quase nada foi estruturado pensando em você — e, quando foi, ficou em segundo plano.
Entre tantas responsabilidades, a mulher sustenta muita coisa invisivelmente. Ainda assim, continua negando a política por não se sentir pertencente ou por acreditar que não está preparada para essas discussões.
Mas é preciso refletir: se nós, mulheres, que tomamos tantas decisões todos os dias, não estamos preparadas para a política, então quem está?
Quem sabe falar das nossas necessidades e das nossas dores, senão nós mesmas? Quem melhor para representar os desafios de existir enquanto mulher do que aquelas que vivem essa realidade diariamente?
Podemos ter companheiros homens que se solidarizam com as nossas pautas, mas eles jamais conseguirão traduzir completamente o que é ser mulher no mundo e como queremos que as coisas sejam para nós.
É por isso que somos totalmente capazes de ocupar esse espaço. Embora tenham nos dito que não, nós também nascemos para isso. Não somos apenas mão de obra, reprodução, artigo de embelezamento ou cumprimento de cota. Aprendemos a cuidar, planejar, observar e administrar. Por muito tempo, tudo isso esteve a serviço dos outros. Está na hora de utilizarmos essa força a nosso favor.
Porque a política nos afeta diretamente — especialmente quando ela não é construída para nós e, principalmente, por nós.
Seja protagonista da sua história. Você já pratica política naturalmente no seu dia a dia. Seu corpo é político e tem sido atravessado por decisões que não são suas.
Hoje, você pode participar ativamente das construções políticas: por meio da Associação de Moradores do seu bairro, dos Conselhos de Direitos do seu Município, de um Movimento Social e, por que não, de um partido político — desde que ele realmente garanta seu espaço enquanto mulher.
Mas, se você ainda não consegue se envolver nessas discussões externas, sua participação política pode ser pacífica e ainda assim revolucionária.
Nestas eleições, conheça as candidatas mulheres e vote naquela que realmente fala sua língua, entende suas demandas e está comprometida em defender os seus direitos.
Por: Camila Valentim
Assistente Social, Esp. Questão Social
Sec. Adj. Da Mulher Trabalhadora da CTB PR
Vice Presidente do PCdoB Paranaguá



