CTB defende a soberania nacional após Eduardo Bolsonaro sugerir uso do Pix como moeda de negociação com os EUA

Golpistas estão se aproveitando das fake news disseminadas para utilizar da imagem da receita e fazer cobranças indevidas à população • Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

CTB alerta para riscos de tratar patrimônio público e instrumentos estratégicos do país como moeda de troca em negociações internacionais.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) manifesta preocupação com as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que sugeriu a possibilidade de incluir o Pix em negociações com os Estados Unidos. Para a Central, a fala representa uma visão incompatível com a defesa da soberania nacional e dos interesses do povo brasileiro.

Criado pelo Banco Central, o Pix tornou-se uma das mais importantes inovações do sistema financeiro nacional, garantindo agilidade nas transações, redução de custos para trabalhadores e pequenos empreendedores, além de ampliar a inclusão bancária em todo o país. Por isso, a CTB considera inadmissível que uma ferramenta pública de interesse nacional seja tratada como ativo de negociação com governos ou grupos econômicos estrangeiros.

A polêmica surgiu após Eduardo Bolsonaro afirmar, em vídeo divulgado nas redes sociais, que o sistema de pagamentos instantâneos poderia ser levado para uma mesa de negociação com os Estados Unidos, em um contexto que envolvia interesses comerciais relacionados a minerais estratégicos brasileiros.

As declarações provocaram reações de diversos setores políticos. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) criticou a postura do parlamentar e defendeu a preservação da autonomia brasileira diante de interesses externos. Segundo ela, a democracia e a soberania nacional devem ser preservadas acima de qualquer projeto político ou alinhamento internacional.

A CTB destaca que o Pix é resultado da capacidade técnica e institucional do Estado brasileiro e representa um patrimônio construído para atender às necessidades da população. Diferentemente de sistemas semelhantes existentes em outros países, o modelo brasileiro é administrado pelo Banco Central e tem como objetivo ampliar o acesso da população aos serviços financeiros, sem os custos tradicionalmente impostos pelo sistema bancário.

O episódio também reacende o debate sobre os diferentes projetos de país em disputa no Brasil. De um lado, a defesa da soberania nacional, da valorização do patrimônio público e do desenvolvimento econômico voltado para o interesse da população. De outro, propostas que subordinam interesses estratégicos brasileiros a agendas externas e aos interesses do grande capital internacional.

Para a CTB, a riqueza nacional, os recursos naturais e as ferramentas públicas construídas pelo Estado devem estar a serviço do desenvolvimento do país, da geração de empregos, da distribuição de renda e da melhoria das condições de vida da classe trabalhadora. A soberania nacional permanece como um princípio fundamental para a construção de um Brasil mais justo, democrático e independente.

Com informações divulgadas pelo jornalista Cezar Xavier – Vermelho. 

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