Por Adilson Araújo, presidente da CTB
Condenado por unanimidade pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação, o deputado Eduardo Bolsonaro continua refugiado nos Estados Unidos. Sob o falso pretexto de “perseguição política”, ele conspira abertamente contra a nossa democracia e soberania nacional.
Recentemente, em Washington, o parlamentar jantou com senadores reacionários do Partido Republicano, servindo um cardápio de ataques ao STF e ao presidente Lula.
Acomodado no Texas, o “03” é suspeito de financiar sua estadia com dinheiro sujo que o Daniel Vorcaro — banqueiro do Master preso por corrupção — repassou ao irmão Flávio Bolsonaro supostamente para financiar um filme de ficção sobre o pai.
Naturalização da traição
Contagiada pelo complexo de vira-lata, a mídia hegemônica trata esse lobby antipatriótico com a extrema-direita trumpista, que já deu frutos como o tarifaço e sanções inaceitáveis contra autoridades brasileiras, como fato normal.
Não podemos aceitar que essa conduta traiçoeira e antipatriótica do clã golpista seja naturalizada. O pai já bateu continência para a bandeira americana num evento em Dallas, enquanto Flávio Rachadinha prometeu entregar nossas reservas de terras raras aos imperialistas da Casa Branca e chegou a sugerir que atacassem embarcações brasileiras e Eduardo Bananinha implorou por tarifaço, sanções e intervenções contra o Brasil.
São manifestações de uma orientação política entreguista que agride a consciência de dignidade nacional e, embora contando com a simpatia dos falsos patriotas de setores da classe dominante, são profundamente opostos aos interesses do povo e da nação. Configuram crimes de lesa pátria e deviam ser punidos.
Lições da história
A história prova que a ingerência dos EUA na política brasileira, ao lado de forças internas reacionárias e entreguistas, sempre resultou em graves prejuízos para a nação e, em especial, para nossa classe trabalhadora:
Foi assim no golpe de 1964, que teve uma participação decisiva dos EUA e trouxe arrocho salarial, fim da estabilidade no emprego e intervenção militar nos sindicatos, além dos assassinatos, torturas e censura. Contemplando interesses dos imperialistas, os golpistas revogaram a Lei das Remessas de Lucros do governo Goulart, que restringia as remessas de lucros e dividendos pelas multinacionais.
Já o golpe de 2016, também apoiado por Washington, que espionou a presidenta Dilma Rousseff e instruiu o Lawfare promovido pela Lava Jato, abriu as portas para a reforma trabalhista de Temer, que subtraiu e flexibilizou direitos, bem como à eleição do governo neofascista de Bolsonaro, que fez uma malfadada Reforma da Previdência, reduzindo o valor dos benefícios, instituindo a idade mínima e extinguindo a aposentadoria por tempo de contribuição.
Derrotar a extrema direita entreguista
É urgente denunciar e rechaçar a ingerência imperialista americana em nossa política, cujo objetivo não é defender a liberdade e combater o terrorismo, mas roubar nossas riquezas naturais, a exemplo do que faz com o petróleo da Venezuela. O Brasil não pode ser tratado como um quintal dos EUA.
Tolerar essa conspiração internacional, blindada pela grande mídia, é entregar de mãos beijadas a soberania nacional. Temos a obrigação de alertar e conscientizar o nosso povo sobre o caráter e o real significado desses acontecimentos, que ocorrem concomitantemente com o anúncio de novas tarifas contra exportações brasileiras, a intensificação do bloqueio criminoso contra Cuba, bem como das agressões e chantagens contra a Venezuela e outras nações da América Latina e Caribe.
Não vamos poupar esforços para que os vendilhões da pátria sejam devidamente desmascarados e recebam uma contundente resposta nas urnas em outubro, com a reeleição de Lula, o avanço das forças democráticas e patrióticas no Congresso Nacional e a derrota da extrema direita.


