CTB participa de ato em São Paulo que celebrou o Dia da Luta Operária e resgatou memória das lutas da classe trabalhadora

Evento reuniu centrais sindicais, movimentos sociais e lideranças históricas para homenagear militantes e reforçar o compromisso com a democracia e os direitos sociais

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou, nesta quinta-feira (9), em São Paulo, do ato em celebração ao Dia da Luta Operária, atividade que resgatou a memória das grandes mobilizações da classe trabalhadora e destacou a importância da organização sindical na conquista de direitos sociais e democráticos.

Realizado na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados (SindPD), na região central da capital paulista, o evento reuniu representantes das centrais sindicais, entidades parceiras e movimentos sociais. Durante a cerimônia, foram entregues os tradicionais Troféus José Martinez, homenagem concedida a personalidades que tiveram papel relevante na luta sindical, popular e democrática.

A atividade foi organizada de forma unitária pelas centrais CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CSB, NCST, Pública, CSP-Conlutas, Intersindical Central da Classe Trabalhadora e Intersindical Instrumento de Luta, com apoio do Centro de Memória Sindical, IIEP, Instituto Astrojildo Pereira, Oboré e do mandato do deputado estadual Antonio Donato (PT-SP).

Entre os homenageados estavam a cartunista Laerte Coutinho, cuja produção artística contribuiu para a comunicação sindical e popular nas décadas de 1970 e 1980, e o ex-deputado federal Aurélio Peres, metalúrgico e militante histórico da Pastoral Operária, das lutas contra a ditadura militar e da defesa da democracia.

Também foram homenageados Paulo Cannabrava e José Maria de Almeida, além das homenagens póstumas a Rubens Romano, Nair Goulart, Célia Rossi, Waldemar Rossi, Paulo Frateschi e Idibal Pivetta, reconhecidos por suas trajetórias em defesa da organização dos trabalhadores e das causas democráticas.

Memória operária e o debate sobre o 9 de julho

A realização do ato no dia 9 de julho também abriu espaço para refletir sobre os diferentes significados atribuídos à data em São Paulo. Tradicionalmente lembrado como feriado estadual em referência à chamada Revolução Constitucionalista de 1932, o episódio envolve uma disputa histórica de interpretações.

A revolta armada de 1932 foi liderada pelas elites paulistas contra o governo provisório de Getúlio Vargas, após a deposição do presidente Washington Luís, em 1930, movimento que encerrou a chamada República Oligárquica, marcada pela influência das oligarquias cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais.

Por muitos anos, a narrativa predominante apresentou o levante como um ato heroico em defesa da democracia e da Constituição. No entanto, estudos históricos também apontam outras dimensões do episódio, destacando que o movimento expressava interesses das elites paulistas contrárias às mudanças promovidas pelo governo Vargas, incluindo medidas voltadas à ampliação de direitos trabalhistas.

Essas contradições são analisadas pela historiadora Jullyana Luporini de Souza no livro “Revolução e Contra-Revolução: a burguesia industrial paulista e o governo Vargas” (Maria Antonia Edições, 2025), que aborda o conflito entre setores empresariais paulistas e as transformações políticas e sociais daquele período.

Com a chegada de Vargas ao poder em 1930, teve início um processo de reorganização do Estado brasileiro, com maior centralização política e a criação de estruturas voltadas à regulamentação das relações de trabalho, como o Ministério do Trabalho. Essas mudanças representaram um marco na história dos direitos trabalhistas no país.

A luta operária como patrimônio histórico

O Dia da Luta Operária também relembrou importantes marcos da história do movimento dos trabalhadores, como os 140 anos da Greve de Chicago, de 1886, referência internacional para a criação do 1º de Maio, e os 109 anos da Greve Geral de 1917, uma das maiores mobilizações operárias já realizadas no Brasil.

Instituído como Dia da Luta Operária em 2017, por lei municipal de São Paulo, o 9 de julho também remete à Greve Geral de 1917, quando trabalhadores e trabalhadoras paulistas protagonizaram uma ampla mobilização por melhores condições de vida, direitos e liberdade de organização sindical.

O Troféu José Martinez leva o nome do jovem sapateiro assassinado durante a greve de 1917, tornando-se símbolo da resistência operária e da luta por justiça social.

A participação da CTB no ato reafirmou o compromisso da central com a preservação da memória das lutas populares e com a continuidade da mobilização em defesa da democracia, dos direitos trabalhistas e de uma sociedade mais justa.

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