Rompimento de adutora no Grajaú expõe consequências da privatização da Sabesp promovida por Tarcísio de Freitas

Foto: reprodução

O rompimento de uma adutora na manhã desta segunda-feira (20), na Avenida Dona Belmira Marin, no Grajaú, Zona Sul de São Paulo, é mais um episódio que evidencia as consequências da privatização da Sabesp, levada adiante pelo governador Tarcísio de Freitas. A ocorrência reforça os alertas feitos por trabalhadores, entidades sindicais e movimentos sociais de que a entrega da companhia à iniciativa privada colocaria em risco a qualidade do saneamento, a manutenção da infraestrutura e a segurança de um serviço essencial para milhões de paulistas.

Segundo relatos de moradores, o rompimento ocorreu durante uma obra na região, provocando um intenso vazamento de água e transtornos para a população. Em nota, a Sabesp informou que o dano teria sido provocado por uma intervenção de terceiros, sem relação com a companhia, e afirmou que atua para restabelecer o abastecimento de forma gradual.

Para a CTB-SP, independentemente da causa imediata do acidente, o episódio evidencia a fragilidade de um modelo de gestão que prioriza os interesses dos acionistas em detrimento dos investimentos na infraestrutura e da qualidade dos serviços prestados à população.

O presidente da CTB-SP, Rene Vicente, afirma que a privatização da Sabesp, conduzida pelo governo Tarcísio, abriu caminho para o enfraquecimento de uma das maiores empresas públicas de saneamento do mundo. “O governo Tarcísio ignorou todos os alertas dos trabalhadores e da sociedade para entregar a Sabesp ao mercado financeiro. Disseram que a privatização traria mais eficiência, mas o que estamos vendo são problemas recorrentes, insegurança para a população e um serviço cada vez mais subordinado ao lucro dos acionistas. Água é um direito, não uma mercadoria.”

Rene ressalta que o rompimento da adutora não pode ser tratado como um caso isolado. “Quando uma empresa pública deixa de ter como prioridade o interesse coletivo para atender às exigências do mercado, os investimentos em manutenção, prevenção e valorização dos trabalhadores tendem a perder espaço. Quem sofre as consequências é a população, que enfrenta vazamentos, interrupções no abastecimento e serviços cada vez mais precarizados.”

Sintaema alerta para o desmonte da Sabesp

O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), filiada à CTB, também tem denunciado os impactos da privatização da Sabesp. Em campanhas recentes, o sindicato afirma que a empresa caminha para se tornar a “Enel da água“, diante do aumento das reclamações, da redução das equipes, da precarização das condições de trabalho e dos riscos para a qualidade do saneamento.

O Sintaema também defende transparência na apuração de acidentes envolvendo a companhia e alerta que a redução de quadros técnicos e a lógica de maximização dos lucros comprometem a segurança operacional do sistema.

Para a CTB-SP, os acontecimentos no Grajaú reforçam que a privatização da Sabesp foi uma decisão equivocada do governo estadual e que o saneamento deve permanecer como um serviço público estratégico, com investimentos permanentes, valorização dos trabalhadores e gestão comprometida com o interesse da população. “Os trabalhadores sempre disseram que esse modelo colocaria em risco a qualidade do serviço. O governo Tarcísio preferiu ouvir o mercado em vez de ouvir quem conhece o saneamento e quem construiu a Sabesp ao longo de décadas. O resultado começa a aparecer no cotidiano dos paulistas. A CTB-SP continuará denunciando esse processo e defendendo uma Sabesp pública, forte e comprometida com o povo de São Paulo”, conclui Rene Vicente.

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