Apagão no transporte escancara fracasso da privatização e irresponsabilidade do governo Tarcísio

Passageiros andam nas linhas de trem da Trivia na região da estação Brás na manhã desta quinta-feira (23) — Foto: Reprodução/TV Globo.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) manifesta profunda preocupação com o caos provocado pela paralisação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, após o incêndio em um trem da concessionária Trivia Trens, na manhã desta quinta-feira (23), em São Paulo.

Mais uma vez, milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram penalizados por um modelo de gestão que coloca o lucro acima do interesse público. A interrupção do serviço, a superlotação das estações, passageiros caminhando pelos trilhos e os enormes congestionamentos registrados na capital evidenciam o preço que a população paga pela política de privatizações implementada pelo governo Tarcísio de Freitas.

A CTB alerta que episódios como este deixam de ser tratados como fatos isolados e passam a representar um padrão preocupante de precarização do transporte público paulista. Nos últimos anos, falhas operacionais, descarrilamentos, interrupções frequentes e problemas de manutenção têm se tornado recorrentes justamente nas linhas entregues à iniciativa privada.

Não é aceitável que um serviço essencial para milhões de pessoas seja administrado com foco prioritário na rentabilidade das concessionárias, enquanto trabalhadores enfrentam atrasos, insegurança e condições cada vez piores para se deslocar entre casa e trabalho.

O governo estadual não pode se eximir de sua responsabilidade. Ao optar pela privatização da malha ferroviária, transfere a operação à iniciativa privada, mas continua responsável por fiscalizar contratos, exigir investimentos, garantir manutenção adequada e assegurar a qualidade do serviço prestado à população.

A CTB reafirma que o transporte público deve ser tratado como um direito social e um serviço estratégico, e não como oportunidade de negócio para grupos privados. O episódio desta quinta-feira reforça a necessidade de rever a política de concessões que vem sendo conduzida em São Paulo, marcada por promessas de eficiência que não se concretizam na realidade vivida diariamente pelos usuários.

A Central cobra a apuração rigorosa das causas do incêndio, transparência na divulgação das informações, responsabilização da concessionária caso sejam constatadas falhas e medidas imediatas para garantir a segurança dos passageiros e impedir que novos episódios de caos se repitam.

A população paulista merece um transporte público seguro, eficiente, acessível e comprometido com o interesse coletivo — não um sistema submetido à lógica do lucro em detrimento da vida e da dignidade dos trabalhadores.

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