Privatização da Sabesp amplia reclamações e confirma alertas feitos pelos trabalhadores, afirma CTB-SP

Foto: Sintaema

O aumento expressivo das reclamações contra a Sabesp após a privatização da companhia reforça os alertas feitos pelos trabalhadores e entidades sindicais durante todo o processo de venda da empresa promovido pelo governador Tarcísio de Freitas. Levantamento divulgado pelo UOL, com base em dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), revela que a média mensal de reclamações em 2026 cresceu 70% em relação ao ano anterior, levando câmaras municipais de diversas cidades paulistas a instaurarem Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar a atuação da empresa.

Entre as principais queixas estão a falta de água, interrupções no abastecimento, demora no atendimento aos consumidores e problemas na qualidade da água distribuída. Somente as reclamações relacionadas à descontinuidade do abastecimento aumentaram 224% no último ano, evidenciando o agravamento dos serviços prestados após a privatização.

Para o presidente da CTB-SP, Rene Vicente, os números apenas confirmam aquilo que os trabalhadores denunciaram antes mesmo da conclusão da venda da Sabesp. “A privatização da Sabesp foi apresentada pelo governo Tarcísio como uma solução para melhorar os serviços, mas os dados mostram exatamente o contrário. Crescem as reclamações, aumenta a insatisfação da população e os municípios já começam a abrir CPIs para investigar a atuação da empresa. Quem alertou sobre esses riscos foram os trabalhadores, mas o governo preferiu ouvir o mercado financeiro.”

O levantamento também mostra que os indicadores de atendimento ao consumidor pioraram significativamente. As reclamações registradas na plataforma Reclame Aqui cresceram 72% entre 2024 e 2025, enquanto o tempo médio de resposta da empresa passou de menos de cinco dias para mais de 70 dias.

Moradores de diferentes regiões do estado também denunciam falta de água diária, água com alteração na cor e no cheiro e dificuldades para obter atendimento da concessionária. A capital paulista lidera o número de reclamações, seguida por municípios como Guarulhos, Osasco, Santo André e Guarujá.

CPIs investigam atuação da Sabesp

O aumento das denúncias já levou câmaras municipais de cidades como Caraguatatuba, Carapicuíba, Itatiba, Limeira, Monte Mor, Paulínia e Santa Isabel a instaurarem CPIs ou outras formas de investigação sobre a prestação dos serviços da Sabesp. Em Carapicuíba, o relatório final classificou o serviço da empresa como “desastroso” e cobrou providências da Arsesp.

Para Rene Vicente, a abertura dessas investigações demonstra que os problemas deixaram de ser casos isolados e passaram a fazer parte da realidade enfrentada pela população paulista. “Quando a lógica do lucro passa a comandar um serviço essencial, quem perde é a população. A água deixa de ser tratada como um direito para se transformar em mercadoria. O resultado aparece nas torneiras secas, na demora para resolver problemas e no aumento da revolta dos consumidores.”

Defesa do saneamento público

A CTB-SP reafirma que a privatização da Sabesp representou um grave retrocesso para o estado de São Paulo. A Central lembra que, durante todo o processo conduzido pelo governo Tarcísio de Freitas, sindicatos, especialistas e movimentos populares alertaram para os riscos da redução dos investimentos, da precarização das condições de trabalho e da perda de qualidade dos serviços. “O governo estadual vendeu a ideia de eficiência, mas o que os dados revelam é o aumento das reclamações, da insatisfação e da insegurança da população. A Sabesp foi construída com recursos públicos e com o trabalho de milhares de profissionais altamente qualificados. A CTB-SP seguirá denunciando os impactos da privatização e defendendo um saneamento público, de qualidade e comprometido com os interesses da sociedade, e não dos acionistas”, conclui Rene Vicente.

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