Por que os grandes grupos econômicos apoiam e financiam a extrema direita?

Por Adilson Araújo, presidente da CTB

Friedrich Engels observou, ainda no século 19, que a luta política, em torno das mais diferentes questões e em seus diversos aspectos, expressa, em última instância, conflitos entre classes sociais. Embora o pensamento dominante procure obscurecer essa realidade, ela reaparece constantemente nos processos eleitorais e nas disputas em torno dos rumos econômicos e políticos das nações.

No Brasil e na América Latina, as preferências políticas dos grandes grupos financeiros internacionais ajudam a compreender essa dinâmica. Não é por acaso que setores relevantes do capital financeiro global demonstram simpatia por governos conservadores e forças de extrema direita. A razão dessa preferência foi explicitada pelo economista indiano Ruchir Sharma, presidente da Rockefeller International, fundador da Breakout Capital e colunista do Financial Times.

A lógica da maximização dos lucros

Em entrevista à BBC, Sharma afirmou que investidores estrangeiros obtêm retornos significativamente maiores sob governos de direita na América Latina. Segundo ele, pesquisas realizadas por sua instituição indicam que, nos dois primeiros anos de governos identificados com a esquerda, o retorno médio dos investimentos realizados por estrangeiros fica em torno de 16%, enquanto, sob administrações de direita, esse percentual ultrapassa 37%.

A declaração sintetiza a lógica que orienta os mercados financeiros internacionais: as preferências políticas acompanham as possibilidades de maximização dos lucros.

Essa constatação suscita uma questão fundamental: aquilo que é vantajoso para os grandes investidores internacionais nem sempre corresponde aos interesses da população trabalhadora e ao desenvolvimento soberano das nações.

Dividendos versus investimentos

O caso da Petrobras durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro ilustra essa contradição. Entre 2017 e 2022, a política empresarial da estatal priorizou a distribuição de dividendos aos acionistas, muitos deles estrangeiros, em detrimento dos investimentos produtivos. Recursos que poderiam ser destinados à ampliação da capacidade produtiva, à pesquisa tecnológica e à geração de empregos foram canalizados para a remuneração do capital financeiro.

Levantamento realizado por Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), demonstrou que, apesar de possuir receita inferior à das maiores petroleiras do mundo, a Petrobras liderou o pagamento de dividendos em determinados períodos recentes. No primeiro semestre de 2023, com receita de aproximadamente US$ 52 bilhões, a empresa distribuiu quase US$ 11 bilhões aos acionistas, superando companhias como a Exxon Mobil, cuja receita foi mais de três vezes superior e que distribuiu cerca de US$ 7,4 bilhões a seus acionistas.

Uma política econômica baseada na maximização dos ganhos financeiros de curto prazo tende a reduzir a capacidade de investimento estratégico das empresas nacionais. O enfraquecimento da indústria, a redução da pesquisa tecnológica, a privatização de ativos estratégicos — como as refinarias e a BR Distribuidora — e o aumento da dependência externa tornam-se consequências previsíveis dessa orientação.

Nos últimos anos, entretanto, a Petrobras voltou a ampliar seus investimentos. Sob o governo Lula, a empresa aumentou significativamente os recursos destinados à exploração, à produção e ao desenvolvimento tecnológico, buscando recuperar sua capacidade de planejamento de longo prazo e reafirmar sua função estratégica para a economia e a sociedade brasileira.

Retrocessos sociais e interesses de classe

Esse debate ultrapassa a questão específica da Petrobras. Em toda a América Latina, governos alinhados ao receituário neoliberal promoveram reformas trabalhistas, privatizações e mudanças previdenciárias que reduziram direitos históricos da classe trabalhadora em nome da competitividade e da rentabilidade do capital.

No Brasil, a reforma trabalhista aprovada durante o governo Temer e a reforma da Previdência implementada no governo Bolsonaro foram apresentadas como medidas necessárias para estimular o crescimento econômico. Entretanto, seus efeitos sobre a renda, a estabilidade do emprego, a proteção social e o desenvolvimento nacional continuam sendo objeto de forte contestação.

Experiências recentes em outros países da região, como a Argentina sob o governo Javier Milei (o valor das aposentadorias no país já foi reduzido em 20%), também evidenciam os custos sociais de políticas econômicas orientadas prioritariamente para atender aos interesses dos mercados financeiros e dos grandes grupos econômicos.

A questão central é que os interesses do grande capital internacional nem sempre coincidem com os interesses da classe trabalhadora e do desenvolvimento nacional. Grandes fundos de investimento buscam maximizar retornos financeiros, enquanto trabalhadores dependem da expansão do emprego, do fortalecimento da indústria, da valorização dos salários e da ampliação dos direitos sociais.

O conflito entre projetos de país

No Brasil, as disputas eleitorais refletem, em grande medida, essa contradição histórica entre interesses associados ao capital financeiro internacional e aqueles ligados ao desenvolvimento nacional e à melhoria das condições de vida da maioria da população.

Nesse contexto, o debate político coloca em confronto diferentes projetos para o país: de um lado, propostas centradas na liberalização econômica, na redução do papel do Estado e na abertura aos fluxos internacionais de capital; de outro, projetos que defendem o fortalecimento da indústria nacional, a valorização do trabalho, a ampliação dos direitos sociais e a preservação da soberania sobre recursos estratégicos.

Nas eleições de outubro esta contradição estará presente. Não restam dúvidas de que o candidato apoiado pelo governo Trump e a oligarquia financeira internacional é Flávio Bolsonaro, um vendilhão da pátria que prometeu entregar as terras raras e minerais críticos do Brasil para os EUA e se coloca abertamente contra as causas e os interesses da classe trabalhadora.

Lula representa o outro lado, é o candidato que defende as causas da classe trabalhadora, como o fim da desumana escala 6×1, a democracia, a soberania nacional e a exploração e apropriação das nossas riquezas naturais pelos brasileiros e brasileiras e não pelo imperialismo. Perante as urnas o povo saberá separar o joio do trigo em defesa dos seus próprios interesses e da dignidade e soberania nacional.

 

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