Uma vida dedicada à classe trabalhadora, à unidade do movimento sindical e à luta por uma sociedade socialista
Por Adilson Araújo, presidente da CTB
Há cinco anos, no dia 10 de agosto de 2021, o movimento sindical brasileiro perdia o companheiro Wagner Gomes, fundador e primeiro presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Sua morte, aos 64 anos, deixou uma lacuna entre aqueles que fizeram da luta em defesa da classe trabalhadora um autêntico compromisso de vida.
Natural de Araçatuba, cidade situada na região noroeste de São Paulo, Wagner foi também fundador e presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo e membro da Direção Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Foi nas lutas de sua categoria que construiu uma trajetória de dirigente sindical combativo, respeitado e reconhecido pela capacidade de organizar, mobilizar e unir os trabalhadores e trabalhadoras. Mas sua liderança não ficou restrita aos metroviários, pois logo se tornou uma referência para todo o movimento sindical brasileiro.
Consciência classista
Dotado de um agudo instinto e consciência classistas, era um crítico ativo da exploração capitalista e firme defensor do socialismo. Sabia também que a força da classe trabalhadores depende fundamentalmente de sua unidade e organização.
Uma das grandes marcas de sua atuação foi a defesa permanente da unidade do movimento sindical e da classe trabalhadora brasileira, sem que isso significasse abrir mão de princípios, convicções ou da perspectiva de transformação social.
Wagner compreendia que a classe trabalhadora precisa estar unida para enfrentar o capital, defender direitos, conquistar avanços e construir as condições para uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem.
Defesa do socialismo
Foi com esse espírito que participou da construção da CTB, contribuindo decisivamente para a criação de uma Central comprometida com a luta classista, com a unidade dos trabalhadores e com a defesa de um projeto nacional de desenvolvimento fundado na democracia, na soberania e na valorização do trabalho, tendo como horizonte a construção do socialismo.
Wagner era também conhecido e estimado pelo bom humor, pela generosidade e pelo companheirismo. Defendia com firmeza suas ao mesmo tempo em que compreendia que, acima das divergências políticas e ideológicas presentes no movimento sindical, estava a necessidade de construir a unidade.
Essa combinação de firmeza e diálogo fez dele uma liderança respeitada e admirada por trabalhadores e trabalhadoras, dirigentes sindicais e militantes de diferentes correntes e organizações. Sua morte, provocada por um infarto fulminante, causou profundo pesar no meio sindical, democrático e popular.
Sua história foi marcada pela coerência, pela integridade e pela firmeza na luta de classes. Wagner não foi um espectador da história. Foi um homem que escolheu tomar partido. E tomou partido ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras, dos explorados e oprimidos, daqueles que lutam por direitos, dignidade e emancipação.
Um lutador imprescindível
Como escreveu Bertolt Brecht, há pessoas que lutam um dia e são boas; outras lutam muitos dias e são melhores; há aquelas que lutam toda a vida e são imprescindíveis.
Wagner Gomes foi um desses imprescindíveis.
Cinco anos depois de sua morte, sua memória não pertence apenas ao passado. Ela está presente nas lutas do presente e nos desafios do futuro, em cada trabalhador que se organiza, em cada sindicato que enfrenta a exploração, em cada mobilização por direitos, em cada batalha pela valorização do trabalho e pela construção de uma sociedade sem exploração.
Neste momento em que o capitalismo, imerso numa grave crise geopolítica, exacerba suas contradições, aprofunda desigualdades, concentra riquezas e busca impor novos mecanismos de exploração da força de trabalho, recordar Wagner é também reafirmar a necessidade da luta classista e da organização dos trabalhadores e trabalhadoras.
A melhor homenagem que podemos prestar a Wagner Gomes é manter viva a luta à qual ele dedicou sua existência: fortalecer o sindicalismo classista, ampliar a unidade da classe trabalhadora, defender seus direitos e construir, com coragem e esperança, um futuro de justiça social, igualdade e socialismo.
A CTB reverencia sua memória, sua história e seu exemplo reiterando seus ideais.
Viva a unidade da classe trabalhadora!
Viva o sindicalismo classista!
Viva a luta dos trabalhadores e trabalhadoras!
Viva a igualdade!


